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Me Engana que Eu Posto Por Coluna A verdade por trás de manchetes falsas que se espalham pela internet. Editado por João Pedroso de Campos.

Temer não determinou apagão elétrico no país por greve de caminhoneiros

Áudio espalhado no WhatsApp e atribuído a diretor de concessionária elétrica é falso. Empresa diz que 'jamais recebeu qualquer determinação'

Por João Pedroso de Campos - Atualizado em 28 maio 2018, 20h45 - Publicado em 28 maio 2018, 20h01

Não bastassem os transtornos causados à população pela greve dos caminhoneiros, incluindo desabastecimento em postos de combustíveis, supermercados, farmácias, entre outros, alguns desocupados se encarregam de aumentar a tensão com problemas inexistentes.

Circula no WhatsApp um áudio atribuído a um diretor da concessionária elétrica Elektro, no qual ele afirma que o presidente Michel Temer e parlamentares “assinaram uma liminar” que determina que todas as distribuidoras de energia devem “cortar” o fornecimento se a paralisação dos caminhoneiros não acabar até esta segunda-feira.

Veja abaixo a transcrição do áudio:

“Amigos meu nome é Ricardo Soares. Eu sou diretor da Elektro. Estou fazendo esse áudio aqui que eu quero que vocês repassem para todos os grupos porque é muito preocupante o que está acontecendo com nosso país. Recebi uma ordem lá de Brasília. O presidente Michel Temer, junto com todos os deputados federais e estaduais, eles assinaram uma liminar que é para gente que tem distribuição e fornecimento de energia para todo país, cada um na sua região. No meu caso eu sou aqui do Mato Grosso do Sul, então é Elektro, mas em São Paulo tem Eletropaulo. Todos, todos receberam uma ordem de cortar se não acabar a greve dos caminhoneiros até segunda-feira é para cortar o fornecimento de energia para toda população brasileira. Gente isso não é brincadeira é muito sério o que esse Michel Temer está querendo fazer. Ele está querendo desmoralizar acabar com o povo brasileiro. Eu gostaria que vocês repassem para o máximo de grupo que vocês puderem. Isso daí tem que chegar no vida de todos os brasileiros até domingo para todo mundo se mobilizar ir para Brasília fazer o que tem que ser feito para isso não acontecer. Eu como diretor da Elektro, recebi essa ordem e infelizmente , se eu não fizer, eles podem cassar o meu mandato. Mande para todos os grupos. o máximo que você conseguir e atingir o máximo de brasileiros”.

Para começo de conversa, a Elektro, fornecedora de energia a 223 cidades de São Paulo e cinco do Mato Grosso do Sul, não tem entre seus diretores nenhum Ricardo Soares (veja aqui a estrutura corporativa da empresa). Até o nome é inventado.

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Outro ponto falho no boato é o de que o presidente da República não assina liminares, tipo de decisão cabe ao poder Judiciário. O presidente decreta, e os decretos, por sinal, são públicos, estampados todos os dias no Diário Oficial da União.

Ademais, além de não fazer sentido algum na conjuntura da greve de caminhoneiros, a fictícia ordem para interrupção do fornecimento de energia à população não seria das medidas mais habilidosas politicamente em um ano eleitoral. Mesmo que Temer não seja candidato à reeleição, um correligionário seu, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, será o candidato do MDB à Presidência.

Por meio de nota, a Elektro esclarece que “jamais recebeu qualquer determinação que pudesse de alguma forma prejudicar os interesses de seus clientes, recomendando cuidado com falsas notícias que estão sendo veiculadas pelo WhatsApp. Qualquer reflexo da greve dos caminhoneiros será comunicado aos clientes pelos canais oficiais da Elektro”.

Já a AES Eletropaulo, responsável pela distribuição de energia em São Paulo e mais 23 municípios, também citada no áudio, afirma que “montou um plano emergencial para garantir atendimento aos clientes após a paralisação nacional dos caminhoneiros”.

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“A realização de serviços de manutenção preventiva e outras atividades adiáveis foram suspensas para preservar combustível em seus veículos e, assim, priorizar o atendimento aos serviços de emergência, como restabelecimento de energia. Em média, das 259 equipes disponíveis para operação da empresa, 97 estão nas ruas, atendendo aos chamados. A empresa reafirma seu compromisso em tomar todas as medidas necessárias para manter sua operação, com a continuidade da greve dos caminhoneiros”, diz a empresa.

 

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