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Me Engana que Eu Posto Por Coluna A verdade por trás de manchetes falsas que se espalham pela internet. Editado por João Pedroso de Campos.

Se Rússia entrar em guerra, Copa do Mundo retorna ao Brasil?

Não, não há nada no regulamento da Fifa que fale de retorno à sede anterior. Caso haja problemas de segurança, o mais provável é que o torneio seja adiado

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 23 abr 2018, 14h08 - Publicado em 16 abr 2018, 11h33

“Segundo o regulamento da Fifa, se o país-sede da Copa estiver em guerra, o evento será realizado na sede anterior…” Antes mesmo de o presidente russo Vladimir Putin se pronunciar sobre os bombardeios ordenados por Estados Unidos, Reino Unido e França à Síria na última sexta-feira, as redes sociais já falavam sobre uma possível mudança de sede da Copa do Mundo de 2018, marcada para começar em 14 de junho, em Moscou. A Rússia possui estreita relação com o governo sírio, o que provocou preocupações sobre novos conflitos entre russos e americanos e em relação à segurança dos torcedores e atletas no Mundial de futebol. Uma mudança de sede ou até a não realização do torneio por causa de uma guerra não seriam fatos inéditos, mas, para decepção de muitos torcedores, o Brasil não tem nada a ver com essa história.

Ao contrário do boato espalhado em grupos de WhatsApp, o regulamento da Copa do Mundo de 2018 não traz sequer uma linha sobre um possível retorno à sede anterior, nem mesmo sobre a possibilidade de a Copa de 2018 não ocorrer na Rússia. Além disso, a menos de dois meses para o início do torneio, seria inviável pensar em uma transferência de sede, já que a maioria dos ingressos já foi vendida e é obrigatória a realização de eventos-teste antes do Mundial. Em caso de guerra na Rússia, o mais plausível seria o adiamento desta edição, como já ocorreu no passado.

  • A primeira edição do Mundial aconteceu em 1930, no Uruguai, e as seguintes ocorreram em 1934, na Itália, e em 1938, na França, já no contexto da II Guerra Mundial (1939-1945) – ambas foram vencidas pela Itália, sob a suspeita de influência do líder fascista Benito Mussolini. Durante a guerra, a Fifa optou por não realizar as Copas de 1942 e 1946. O torneio só voltaria a ser realizado em 1950, justamente no Brasil, com vitória uruguaia sobre os anfitriões no Maracanã.

    A história registra também uma mudança de sede: a Copa de 1986 deveria ter ocorrido na Colômbia, mas o país sul-americano desistiu e o evento retornou ao México, casa do Mundial de 1970. Na época, o governo colombiano alegou dificuldades econômicas e insatisfação com as exigências da Fifa, e abriu mão do evento. A renúncia, porém, ocorreu em 1982, com tempo de sobra para a escolha de uma nova sede – a Fifa ofereceu a chance a Brasil, Canadá e Estados Unidos, mas os três países recusaram.

    Abusando da imaginação, caso a Fifa decida adiar a Copa de 2018 e realizá-la, por exemplo, em 2019 ou 2020, ainda assim, dificilmente o torneio retornaria ao Brasil, já que a entidade trabalha com um sistema de rodízio de continentes e, após a Copa na África (2010) e a na América (2014), os próximos eventos devem ocorrer na Europa e na Ásia.

     

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