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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Vai ter vacina sim

Uma das armas contra a pandemia será o imunizante.  Há vários promissores e eles não têm ideologia

Por Matheus Leitão Atualizado em 12 nov 2020, 16h51 - Publicado em 12 nov 2020, 10h08

O retorno do estudo clínico da CoronaVac, imunizante contra a Covid-19 desenvolvido na China e cuja pesquisa no Brasil é realizada pelo Instituto Butantan, é um alento para o país neste momento em que se completam oito meses e meio de pandemia.

A autorização para a retomada dos estudos, dada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), não minimiza, contudo, o grave fato de que o presidente Jair Bolsonaro politizou a vacina para prejudicar o seu desafeto João Doria, governador de São Paulo, mas renova a esperança de uma proteção.

O coronavírus continua a matar muitos no Brasil, mesmo com a queda na média de contaminações e mortes. Já são mais de 163 mil óbitos em todo país após 5,7 milhões de casos. Nas últimas 24 horas, foram 564 novas mortes em uma média móvel, em sete dias, de 319 falecimentos.

Apesar de estarem reduzindo, os números são extremamente robustos e tristes. O Brasil, assim como outros países do mundo, precisa focar na busca pelo imunizante para tentar normalizar a sua agenda, inclusive a econômica, tão cara à medida que cresce o desemprego entre a classe média e os mais pobres.

Em vez disso, vive, desnecessariamente, uma crise de imagem na produção da vacina que está no estágio mais avançado de testes.

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Em seu comunicado após a morte de um voluntário que estava tomando o imunizante – ele cometeu suicídio e sua morte, apesar de considerada um evento adverso grave, não tem ligação com a pesquisa -, a Anvisa teve que fazer uma defesa do estudo da CoronaVac, afirmando  que a “suspensão não significa que o produto sob investigação não tenha qualidade, segurança ou eficácia”.

Como informou a Veja, a paralisação do estudo gerou ainda mais preocupações sobre a segurança e eficácia da vacina, em um cenário já conturbado pelas constantes críticas de Bolsonaro ao imunizante desenvolvido na China. A verdade é que a infeliz participação do presidente no episódio se transformou em um prato cheio para teorias da conspiração na internet. 

Nesta quinta-feira, 12, a decisão publicada no Diário Oficial da União, impondo o calendário de vacinação dos militares, mostra mais uma vez o ridículo que é a campanha anti-vacina feita pelo presidente. É o oposto do que ele tem falado, contra a obrigatoriedade. Os militares são obrigados, a resto da população, não.

O “comunismo”, motivo de obsessão de Bolsonaro e seus seguidores radicais, nada tem a ver com o imunizante. A esperança de que o presidente se comporte à altura do cargo já não existe mais. Após quase dois anos de mandato, está claro que Bolsonaro pode até diminuir, a depender do seu interesse, os arroubos autoritários que geram crises institucionais e atrapalham a governança do país. Mas esses arroubos nunca vão cessar.

Bolsonaro não inspira, ele tumultua. Portanto, a expectativa tem de estar na vacina, chinesa ou não, e na busca de uma cura. As crianças precisam voltar às escolas sem o temor dos pais com a possibilidade de contágio. Avós precisam reencontrar os netos. Os amigos têm que se reunir, sem o medo de que um contamine o outro. O país e o mundo já sofreram demais.

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