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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Senadores não aceitarão permanência de Ernesto Araújo

As notas de repúdio ao ataque do ministro à senadora Katia Abreu são apenas a parte visível da reação do Senado

Por Matheus Leitão Atualizado em 29 mar 2021, 09h21 - Publicado em 29 mar 2021, 08h30

A semana começa com a temperatura máxima em Brasília em torno do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Os senadores demonstraram – em notas e manifestações nas redes sociais – que não aceitarão a última ofensiva. Eles estão em pé de guerra.

Uma das opções estudadas é bloquear todos os pedidos do Itamaraty na Casa até que haja a troca do seu titular. Mas os recados estão chegando cada vez mais fortes e, quanto mais o presidente Bolsonaro demorar, pior ficará. Os senadores programam entrar no STF com um pedido de impeachment do ministro.

No fim de semana, o tiroteio digital contra os senadores por parte de bolsonaristas atingiu o auge quando o próprio chanceler tuitou a insinuação de que a presidente da Comissão de Relações Exteriores, Katia Abreu, (PP-TO)  estaria fazendo lobby pelos chineses no 5 G. A senadora desmentiu e os colegas a apoiaram.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ( DEM-MG)  disse que o ataque atinge todo o Senado. Vários colegas se manifestaram. A senadora Simone Tebet (MDB-MS)  respondeu no Twitter dizendo que a insinuação atinge a própria democracia. “Ernesto e democracia não andam juntos”.

Depois do gesto de supremacistas brancos usado pelo assessor internacional Filipe Martins, foi desvendado, graças à jornalista Flávia Oliveira, da Globonews, a citação que o próprio Ernesto Araújo fez no Senado. Ele citou a sigla SPQR “Senatus populusque romanus”, dizendo ser uma homenagem ao Senado, mas a sigla era usada pelo ditador fascista Benito Mussolini e acabou resgatada pelos extremistas de direita nos últimos tempos. 

Não era homenagem, era provocação. O senador Randolfe Rodrigues (Rede- AP) requereu por ofício informações sobre o uso da expressão. Kátia Abreu também protestou contra o fato de Araújo não ter falado nada contra ela na audiência no Senado e depois atacado via Twitter.

Tudo isso só neste último fim de semana, quando não houve trégua nas pressões contra Ernesto Araújo. Os senadores não aceitarão que ele fique, apesar de ele dizer o contrário a interlocutores. E isso é o começo. As pressões contra outros ministros vão crescer também, por parlamentares das duas casas.

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