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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Paulo Guedes fica, mas é o projeto liberal que acumula cartões 

As sinalizações amarela ou vermelha que o presidente tem dado ao ministro da Economia estão atingindo todas as suas ideias

Por Matheus Leitão - Atualizado em 16 set 2020, 16h47 - Publicado em 15 set 2020, 18h37

Integrantes do governo Jair Bolsonaro garantem que o ministro da Economia, Paulo Guedes, não deixará de ser o Posto Ipiranga, mesmo com os cartões amarelos e vermelhos do presidente sendo distribuídos aqui e ali na capital. Nesta terça-feira, 15, Bolsonaro ameaçou expulsar de seu time quem se atreveu a pensar no congelamento das pensões e aposentadorias, que havia sido anunciado pelo secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues. Ou em redução do Benefício de Prestação Continuada (BPC), dado a idosos pobres e deficientes. Num claro ato eleitoral, Bolsonaro afirmou que não aceitaria congelar benefícios para ampliar o Bolsa Família, por exemplo.

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“Já disse há poucas semanas que jamais vou tirar dinheiro dos pobres para dar aos paupérrimos. Quem porventura vier para mim para propor uma medida como esta, eu só posso dar um cartão vermelho para esta pessoa. É gente que não tem o mínimo de coração ou de entendimento de como vivem os aposentados no Brasil”, afirmou o presidente, completando que jamais congelaria salários ou cortaria benefícios dos mais velhos.

Num ato de defesa de sua própria pessoa, e do cargo que tanto gosta de ocupar, Guedes correu aos jornalistas para dizer que o cartão vermelho não era para ele. Mas saiu da sua equipe no Ministério da Economia – equipe esta que tem perdido grandes nomes, aliás – a ideia de poupar uma parte das contas para gastar em outra.

A mensagem que fica após mais esse episódio constrangedor de bronca pública do presidente é uma só: as eleições de 2022 continuarão a ser o norte da política e da economia no Brasil. Já o projeto de Guedes, das privatizações, do enxugamento do estado e de suas contas, das reformas, como a administrativa, será cada vez mais colocado em segundo plano.

Guedes tentou minimizar o cartão vermelho, disse que ele estava presente no Palácio do Planalto no momento em que o presidente fez críticas à própria equipe, mas sabe o que é a verdade: que o seu plano andará a passos lentos até a próxima eleição, e que, mesmo após ela, Bolsonaro não se transformará nunca em um liberal convicto.

“Cartão vermelho não foi pra mim, esclarecendo todo mundo. Eu conversei com o presidente hoje cedo, conversamos sobre as notícias dos jornais. Eu lamentei muito essa interpretação, porque na verdade tem uma PEC falando justamente em devolver à classe política o comando sobre os orçamentos públicos, que é algo que a democracia pede, é importante, devolve a classe política as decisões, aos prefeitos, governadores, presidente da República”, disse o ministro da Economia.

Paulo Guedes continuou: “Nenhum governo vai propor tirar dinheiro de um deficiente físico para um deficiente físico pobre. Não era isso que estava sendo estudado”. Mesmo sem o cartão vermelho a Guedes, o governo continua a dar sinais trocados. Já se diz em Brasília que as reformas andarão a passo de tartaruga e as privatizações profundas só acontecerão em um eventual segundo mandato. É que, enquanto o ministro da Economia fala a língua do liberalismo econômico, o presidente é fluente mesmo apenas no proselitismo político.

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