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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Município no Ceará gasta mais de R$ 6 milhões com coffee breaks

Só no período de pandemia, mesmo com servidores municipais em home office, foram mais de R$ 200 mil para fornecimento de lanches e realização de eventos

Por Matheus Leitão Atualizado em 16 nov 2020, 14h09 - Publicado em 14 nov 2020, 15h26

O Ministério Público do Estado do Ceará apura denúncia feita por meio de ação popular que detalha suposto esquema de corrupção, contratos irregulares e superfaturamento na compra de lanches, coffee breaks e realização de eventos em São Gonçalo do Amarante, município cearense com cerca de 44 mil habitantes, segundo última estimativa do IBGE.

De acordo com a denúncia, entre 2017 e outubro de 2020, a empresa Realiza Eventos – razão social Marciano de Sousa Ferreira ME –, recebeu da prefeitura o total de R$ 6.340.002,20 pelos serviços de “lanches individuais, refeição individual e coffee break (…); e b) eventos comemorativos das atividades fundamentais e/ou administrativas da secretaria (…)”.

O dado curioso é que, apesar de decretos municipais de estado de calamidade, estabelecendo ponto facultativo, confinamento e trabalho remoto para os servidores municipais – o que fechou inclusive as vias de acesso à cidade – só entre 19 de março e 12 de outubro deste ano, foram empenhados mais de R$ 211 mil. Os dados constam no Portal da Transparência.

De acordo com balanço do Ministério da Saúde, a cidade registra atualmente 53 mortes por Covid-19 e 2.763 casos confirmados.

A denúncia demonstra também supostas irregularidades em contratos com dispensa de licitação da empresa com a Secretaria de Educação. A gestora responsável pelo empenho da verba foi Marineide Clementino Braga, atual candidata à vice-prefeita de São Gonçalo do Amarante na chapa de Elder Gurgel (PDT), aliado político do prefeito Francisco Cláudio Pinto Pinho (PDT).

Diante da denúncia, na última quarta-feira, 10, a Justiça decretou a indisponibilidade cautelar de bens de Marineide e da empresa Marciano de Sousa Ferreira ME, e a suspensão cautelar dos contratos ainda existentes entre a Secretaria de Educação e a empresa. 

Procurados, a prefeitura, a ex-secretária de Educação e o sócio-fundador da empresa não retornaram os contatos da reportagem.

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