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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Líder camponesa recebe prêmio sueco por trabalho na Amazônia

Osvalinda Pereira atua há anos na região da Amazônia e recebe ameaças de morte pelo trabalho em defesa da floresta

Por Matheus Leitão Atualizado em 24 nov 2020, 15h12 - Publicado em 24 nov 2020, 15h10

A luta em defesa da Amazônia deu a uma brasileira, pela primeira vez, o prêmio Edelstam, concedido na Suécia a pessoas com contribuições notáveis e coragem excepcional em defender suas crenças em favor dos Direitos Humanos.

Nesta terça, 24, a líder camponesa Osvalinda Marcelino Alves Pereira receberá o prêmio durante cerimônia digital que contará com a participação do primeiro-ministro sueco, Stefan Löfven, e da Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet.

Osvalinda tem 42 anos e mora no município de Trairão, no estado do Pará. Ela e o marido, Daniel Pereira, fizeram parte do programa da reforma agrária do Incra no projeto de assentamento Areia.

O casal tem recebido ameaças de morte desde a criação de uma associação para mulheres assentadas que tem o objetivo de incentivar práticas agrícolas orgânicas sustentáveis e trabalhar para reflorestar áreas afetadas pela exploração madeireira.

Em um dos episódios, o marido de Osvalinda e outro agricultor foram levados por madeireiros até uma casa onde foram ameaçados de morte. De 15 a 20 homens armados acusaram os dois de fornecer informações sobre extração ilegal de madeira ao Ibama e afirmaram que deveriam parar ou seriam mortos.

Em 2018, em outro episódio de ameaça, o casal acordou e viu que alguém tinha entrado no quintal de sua casa para cavar duas sepulturas com cruzes. Depois disso, Osvalinda e o marido fugiram e receberam proteção do Programa Federal de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos, Jornalistas e Ambientalistas.

“A corajosa atividade da Sra. Osvalinda em denunciar a extração ilegal de madeira na floresta amazônica apesar das constantes ameaças e em defender suas condenações em momentos em que a justiça é necessária é um exemplo importante da resiliência necessária para proteger e defender nosso meio ambiente”, escreve Caroline Edelstam, Presidente do Júri do Prêmio Edelstam, no site oficial do prêmio.

O prêmio de Osvalinda reforça a importância do trabalho desenvolvido por defensores do meio ambiente que lutam diariamente para impedir a destruição das florestas. A coragem de continuar a missão, mesmo sob ameaças, mostra que o país tem a sorte de poder contar com pessoas que empenham sua vida em defender o que é de todos nós.

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