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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Here comes the sun

O sol está voltando para os EUA e os americanos são responsáveis por isso. A participação popular sempre será o norte de qualquer sistema democrático

Por Matheus Leitão 7 nov 2020, 13h35

Quando George Harrison escreveu “Here comes the sun”, música gravada e imortalizada pelos Beatles em 1969, ele estava em um jardim ensolarado na casa de Eric Clapton e sentiu uma onda de otimismo depois de um tempo de “inverno” em sua vida.

Esse otimismo da música, que fala de “sorrisos voltando aos rostos” e anuncia a volta do sol após um inverno “longo, frio e solitário”, representa bem o momento que o mundo vive hoje com a vitória do democrata Joe Biden, o próximo presidente dos Estados Unidos.

A  chegada de Biden ao  poder faz renascer a esperança na democracia, mas a positividade expressa  na  música tem a ver com outro ponto fundamental dessas eleições históricas: o norte-americano decidiu votar e participar ativamente do regime democrático em seu país.

O voto nos Estados Unidos não é obrigatório e, portanto, não há, como aqui, multa para quem deixar de ir às urnas para escolher seu representante. O resultado disso é que muitos americanos simplesmente abandonaram o direito de votar nos últimos anos por motivos como filas, deslocamento e até a falta de consciência da importância de seu voto para a nação.

Nas eleições locais de 2018, a taxa de comparecimento de eleitores registrados foi de 50,3% e na corrida à Casa Branca em 2016, foi de 55,7%

Depois de viver um cenário polêmico em 2016, com a vitória de Donald Trump mesmo recebendo menos votos do que a adversária Hillary Clinton, parece que o americano acordou. Afinal era a segunda vez em 16 anos que o vencedor do voto popular não era levado à Casa Branca.

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Impulsionados por uma campanha massiva que envolveu, inclusive, artistas renomados do país, pessoas influentes como Michelle Obama, e também como efeito da polarização, cidadãos e cidadãs  despertaram para a importância de serem mais ativos na democracia.

No ano em que o coronavírus isolou milhões de pessoas em casa, a possibilidade de votar pelo correio animou a população. É um caminho usado há muitos anos e que neste momento era o mais cômodo.  Até o fim de outubro, mais de 80 milhões de votos antecipados já haviam sido contabilizados. Grande parte pelo Correio.

Para reduzir essa participação, o presidente Donald Trump defendeu a restrição do voto pelo Correio. Além do grande número de voto antecipado, que mostrou a mobilização do eleitor, , o vencedor da disputa, Joe Biden, bateu recordes e recebeu mais de 72 milhões de votos da população. Em 2016, a democrata Hillary Clinton angariou 65,8 milhões de votos. O vencedor da disputa naquele ano, Donald Trump, teve 62,9 milhões de votos.

A participação e o engajamento de artistas nas eleições deste ano também parecem ter motivado os americanos a fazerem o seu papel nesta disputa. Além da campanha pelo voto, muitos famosos de Hollywood falaram abertamente sobre quem eram seus candidatos para incentivar a população.

Do lado de Trump, por exemplo, estavam os rappers 50 Cent, Kanye West, e o ex-lutador Mike Tyson. Fizeram campanha para Biden artistas como as cantoras Lady Gaga, Beyoncé, Taylor Swift e a atriz Jennifer Aniston.

Ao fim, a participação popular sempre será o sol de qualquer sistema democrático. O sombrio é quando as pessoas se desinteressam do ato de votar, da participação. Essa é a música que soava na minha mente vendo a ida das pessoas aos postos de votação na democracia do país mais poderoso do mundo.

O sol voltando, no caso, é a participação das pessoas, dos cidadãos no processo de escolha do governante. Isso não é uma cereja do bolo, é o bolo. Sem isso, não há democracia. O eleitor a caminho da urna, onde fará sua voz ser ouvida, será sempre a luz da Constituição de 231 anos e que começa com a famosa frase: “We the people”.

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