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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Facebook entrega mais uma peça para o xadrez político brasileiro

Informação de que servidores dos gabinetes do presidente e dos seus filhos comandam rede de ódio fortalece inquéritos no STF, no TSE e CPMI no Congresso

Por Matheus Leitão - Atualizado em 9 jul 2020, 12h09 - Publicado em 9 jul 2020, 11h55

O Facebook ajudou a encaixar uma peça que faltava na política brasileira. Ao apontar que Tércio Arnauld Tomaz, assessor especial de Jair Bolsonaro, era responsável por páginas com teor de ódio e ataques a “adversários políticos” do presidente, como ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o ex-titular do Ministério da Justiça Sergio Moro, a rede social prestou um serviço contra um mal do nosso tempo, as fake news. 

O Facebook, após rastreamento técnico, ainda identificou outros assessores da família Bolsonaro com participação numa rede de perfis – agora deletada -, mas que contava com 35 contas, 14 páginas e um grupo no Facebook, além de 38 perfis no Instagram. Esses números dão a dimensão da atuação do grupo e a proximidade com o clã bolsonarista, incluindo esse funcionário da Presidência, o que eleva a gravidade de tudo o que já se sabia ou se suspeitava.

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A peça revelada pelo Facebook se encaixa perfeitamente no inquérito das fake news relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, na investigação sobre manifestações anti-democráticas aberta pela Procuradoria-Geral da República (PGR), nas ações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre manipulação digital nas eleições de 2018 e na CPMI do Congresso sobre o tema. Fortalece todas essas investigações feitas pelo judiciário e pelo legislativo brasileiros.

A imagem está se completando, com as peças sendo colocadas, uma a uma. O que se vê é uma rede de mentiras e ataques em funcionamento dentro do governo Bolsonaro e com braços entre seus apoiadores mais próximos, como assessores.

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Em relação ao inquérito do STF, por exemplo, a Corte foi acusada por bolsonaristas de estar agindo de forma autoritária para impedir críticas a ministros do Supremo e, portanto, limitar a liberdade de expressão. O próprio Alexandre de Moraes mostrou que não. Havia ameaças de práticas de crimes contra os ministros e a própria instituição. 

Agora, o que se vê é que integrantes dessa rede de mentiras, calúnias e ameaças atuavam dentro do Palácio do Planalto, no chamado gabinete do ódio, como se suspeitava. Não é mais um caso de apenas insultos, é uma conspiração contra o STF e, portanto, contra a democracia.

As várias frentes que tentavam revelar como funciona essa rede criminosa de fake news, que ganhou musculatura nos últimos tempos, começaram separadas, mas podem estar se juntando a partir da revelação da apuração interna do Facebook. 

Não se trata de excessos de alguns apoiadores, mas de funcionários contratados por Bolsonaro, ou por seus filhos, como parte central de uma malha de disparos que contam até com desinformação sobre a pandemia, informações falsas que podem ter levado pessoas de boa fé a sofrer consequências graves na saúde em meio à crise sanitária mais violenta dos últimos cem anos.

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