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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Eleitor dá cartão amarelo para Bolsonaro, PT e Lula

O caminho ainda é longo, a fotografia é de momento, mas vai se desenhando uma sinalização do eleitorado em favor de políticos que se aproximam do centro

Por Matheus Leitão Atualizado em 30 nov 2020, 00h11 - Publicado em 29 nov 2020, 21h35

A eleição de 2022 ainda está distante, mas o pleito municipal de 2020 deixa uma sinalização clara do eleitorado: o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o PT e o ex-presidente Lula são os principais derrotados e saem do jogo político com cartões amarelos. 

Bolsonaro viu a maioria dos candidatos que apoiou naufragar, seja no primeiro turno ou no segundo turno. Quando os candidatos levavam bandeiras bolsonaristas, escondiam o presidente da República, como em Vitória, caso do vencedor delegado Pazolini. 

Bolsonaro perdeu tempo de 2018, quando saiu consagrado das urnas, para cá, não organizou um partido que aglutinasse a extrema direita, e viu vitoriosos como Pazolini se afastando à medida que sua reprovação foi aumentando em todas as capitais do país, menos em Macapá.

No Rio de Janeiro, o presidente ainda testemunhou uma derrota acachapante em sua base eleitoral, com o candidato Marcelo Crivella não sendo bem sucedido após apostar em uma fórmula Bolsonaro-Religião-Fakenews. 

O mandatário maior do país ainda viu o vencedor carioca Eduardo Paes dando entrevista ao lado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Um importante sinal, diga-se de passagem. Maia marca um distanciamento maior de Bolsonaro e avisa para o país que o candidato dele ganhou.

O PT também não teve vida fácil e saiu tão derrotado quanto Bolsonaro. Viu seus dois candidatos no segundo turno perderem, em Recife e em Vitória, e uma nova esquerda se organizando ao redor de lideranças como Guilherme Boulos e Manuela D’Ávila, que perderam os pleitos, mas saíram maiores. O PT não poderá mais tratar essas lideranças, e seus partidos, como periféricos.

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O ex-presidente Lula viu seus candidatos serem derrotados no primeiro turno e no segundo turno, como em um efeito dominó, pagando o preço da insistência em candidatos poucos competitivos. Mas o petista tem o atenuante que Bolsonaro não tem, por estar estar fora da cadeira presidencial.

Enquanto Bolsonaro, o PT e Lula saíram derrotados, o centro e a boa gestão saem vitoriosos. Partidos como o DEM, com candidatos se aproximando do centro, caso do próprio Paes no Rio, viram o número de prefeituras duplicarem, assim como outros partidos que fizeram o mesmo movimento, caso de PP e PSD.

Isso também ja havia sido a tônica do primeiro turno, quando candidatos claramente ao centro, como Alexandre Kalil (PSD), em Belo Horizonte, com boa gestão na pandemia ou já experimentos, foram bem sucedidos nas eleições.

Em São Paulo, Bruno Covas também é exemplo dessa boa gestão aprovada na pandemia, apesar do importante desempenho de Guilherme Boulos, segundo colocado agora repaginado, com nova importância na esquerda e sendo o grande fenômeno de 2020.

Com todas essas sinalizações, e a esquerda se reorganizando, com vitórias de João Campos (PSB), em Recife, de Edmilson Rodrigues (PSOL), em Belém, e de José Sarto (PDT), em Fortaleza, o governador de São Paulo, João Doria, sai com o sentimento de que apostar em se aproximar do centro foi uma boa opção.

Mesmo que Bruno Covas tenha escondido o governador em sua campanha, João Doria poderá usar a prefeitura de São Paulo, a mais importante e populosa do país, como trampolim em 2022. O caminho ainda é longo (o próprio PSDB foi mal em 2018 com mais de 700 prefeituras), a fotografia é de momento, mas vai se desenhando.

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