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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Associação de delegados suspende nota de boas-vindas ao novo diretor da PF

Possível troca do superintendente do Rio, local sensível ao clã Bolsonaro, não é bem-vista e ADPF aguarda decisão de Rolando Souza para se manifestar

Por Matheus Leitão Atualizado em 4 ago 2020, 16h24 - Publicado em 5 Maio 2020, 07h49

A Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) não soltou a tradicional nota de boas-vindas em deferência ao novo diretor-geral da PF, Rolando Alexandre de Souza. O silêncio da mais importante entidade de classe da categoria não passou despercebido ao menos na corporação.

Segundo a coluna apurou, a nota estava sendo redigida após a posse de Rolando Souza na direção-geral, nesta segunda-feira, 4, quando começaram as especulações dentro da PF sobre a substituição do superintendente do Rio de Janeiro, Carlos Henrique Sousa, que poderá virar o diretor-executivo, número 2 na hierarquia da corporação.

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A possibilidade da troca gerou imediato estranhamento na ADPF e levou à suspensão da redação do texto de boas-vindas, que é praxe na ocasião da troca do diretor-geral. Mesmo parecendo uma promoção, não pegou bem entre os delegados da PF e uma mudança, no atual contexto de crise, não será bem-vista pela categoria.

Na superintendência do Rio correm investigações sensíveis ao presidente Jair Bolsonaro, que foi acusado há duas semanas pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro de tentar interferir politicamente no órgão.

Em agosto do ano passado, o posto em solo carioca foi o pivô da primeira crise na corporação no atual governo. Passando por cima do então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, Jair Bolsonaro tentou anunciar a troca do superintendente por “questões de produtividade”.

O órgão não cedeu e manteve a designação, já acordada internamente, de Carlos Henrique Sousa para o cargo, independentemente de o presidente desejar outro nome para a superintendência.

Agora, diante do ressurgimento da especulação da mudança do chefe da PF no Rio, a ADPF resolveu aguardar os primeiros atos do novo diretor-geral para somente então fazer a nota pública recepcionando o chefe máximo da corporação.

“Entendemos que não é o momento de trocar o superintendente do órgão em solo carioca porque vai gerar imediata desconfiança da população. Será muito ruim”, afirma um delegado da diretoria da ADPF. A entidade prepara forte reação contra Rolando, curiosamente um de seus filiados, caso a mudança se concretize.

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