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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Aras recebe a reclamação de um quinto conselheiro

Agora o procurador José Elaeres enviou um memorando ao procurador-geral da República afirmando haver “riscos de instabilidade institucional”

Por Matheus Leitão - Atualizado em 8 jul 2020, 18h20 - Publicado em 8 jul 2020, 18h03

A entrevista do secretário-geral do Ministério Público Federal (MPF), Eitel Santiago de Brito Pereira, à CNN continua gerando repercussões. Além dos quatro procuradores do Conselho Superior do Ministério Público que sugeriram a  sua exoneração, o conselheiro José Elaeres Marques Teixeira enviou um memorando ao procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmando haver “riscos de instabilidade institucional” e que, hoje, tem “profunda preocupação com o futuro da instituição”.

Na entrevista, Eitel Santiago fez avaliações políticas sobre o trabalho de colegas, levantando a suspeita de que forças-tarefas atuaram de forma ilegal. Depois, apontou que “Deus foi o responsável pela presença de [Jair] Bolsonaro no poder”. Mostrando forte ligação com o bolsonarismo, Eitel defendeu o governo e disse que a pandemia do coronavírus só aconteceu “porque o Senhor permite”. 

A primeira reação veio dos quatro integrantes do Conselho Superior do Ministério Público, como informado pela coluna. Agora, o procurador José Elaeres Marques Teixeira, quinto membro do Conselho Superior do MP, avaliou que a “entrevista repercutiu de forma extremamente negativa no seio da Instituição, não só pelo seu conteúdo, mas também porque não compete ao Secretário-Geral fazer avaliações sobre o exercício da atividade-fim por Procuradores da República”. 

“O clima de desconfiança e desconforto gerado tanto interna como externamente me levam a manifestar a Vossa Excelência a minha profunda preocupação com o futuro próximo da nossa Instituição, caso seja mantido no cargo de Secretário-Geral do Ministério Público da União o doutor Eitel Santiago de Brito Pereira. Há riscos de instabilidade institucional e de a imagem do Ministério Público Federal ser ainda mais atingida, além do que já o foi com a veiculação da referida entrevista”, diz o conselheiro. A declaração foi ainda mais emblemática porque José Elaeres sempre vota com Aras no Conselho Superior.

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As reclamações chegam em um momento delicado da gestão de Aras, quando há um embate com a força-tarefa da Lava Jato sobre a forma como o procurador-geral vem conduzindo os trabalhos no MPF. As divergências foram levadas à corregedoria do órgão e enfraqueceram ainda mais a credibilidade de Aras com a categoria. A PGR já afirmou que todos os memorandos serão analisados. 

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