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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Adivinhem quem é o maior derrotado na busca mundial pelas vacinas?

O presidente Jair Bolsonaro, claro, e sua equipe de ministros  

Por Matheus Leitão Atualizado em 8 jan 2021, 13h18 - Publicado em 8 jan 2021, 11h12

O número de 200 mil mortos para a Covid-19 consegue ser ainda mais trágico no Brasil porque, aqui, a discussão sobre a vacina virou debate ideológico para uns fanáticos. E pior: o presidente da República, Jair Bolsonaro, resolveu liderar essa minoria, e não a maioria que clama desesperadamente pela vacina.

O país está no topo da triste lista dos que mais viram seus cidadãos morrerem pela doença, mas continua na rabeira entre os que se movimentaram para adquirir vacinas e conter a pandemia mais violenta dos últimos 100 anos. Tudo porque o governo resolveu agir ideologicamente e não pragmaticamente.

É tão assustador o que se discute no meio bolsonarista que, nesta semana, um seguidor do presidente tentou convencer duas amigas de infância a não tomar a vacina. O motivo? Poderia levar à mutação genética. A conversa se passou em um parque numa das áreas mais valorizadas de Brasília, capital do país.

Ao fim, para o espanto de quem presenciava a conversa, a cena era assim: um advogado concursado de uma das mais importantes cortes superiores do país tentava convencer uma psicóloga e uma publicitária a não tomarem a vacina porque o imunizante fazia parte de uma grande conspiração internacional.

Segundo o advogado dessa corte superior, os belos olhos azuis da psicóloga poderiam até acordar de outra cor após o uso da vacina contra a Covid-19. Vejam vocês o tamanho do estrago que os radicais desta nova extrema-direita, que surgiu com mais vigor no Brasil a partir de 2018, têm conseguido multiplicar país afora.

Assusta saber da existência de uma conversa como esta em 2021, com ares de teorias que se sussurravam durante a Guerra Fria, no século passado. Aterroriza ainda mais saber que um presidente da república alimenta esses raciocínios dia e noite. Enquanto isso, o país vive o luto dos seus mortos para um vírus de existência real e concreta, e não fruto de um delírio conspiratório.

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