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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

A relação entre os caminhoneiros e Bolsonaro azedou

Ministro liga para presidente e pede para ele parar os líderes dos protestos. Ou melhor, para os caminhões não pararem o Brasil 

Por Matheus Leitão 9 set 2021, 07h19

O Brasil é um país único. Vejam vocês: o presidente Jair Bolsonaro convocou os seus apoiadores radicais durante semanas, entre eles parte de uns caminhoneiros criminosos, para o apoiarem no seu tresloucado 7 de setembro.

O dia da Independência, o pior dos últimos 199 anos, teve sim uma tresloucada (essa é a palavra!) algazarra. Mas agora também um inesperado resultado para o presidente da República, que viu a bolsa despencar e o dólar disparar.

Os caminhoneiros resolveram seguir promovendo manifestações e bloquearam rodovias de 12 estados do país nesta quarta, dia 8, um dia após o “Dia da Independência” de Bolsonaro.

É engraçado. Segundo um parlamentar aliado do presidente que conversou com a coluna, um ministro de Estado ligou para o presidente em desespero para ele fazer um apelo aos caminhoneiros: “parar o que o próprio Jair começou”.

Foi aí que o presidente gravou um áudio pedindo aos caminhoneiros que liberem, o mais rápido possível, diversas estradas do país. Na gravação, Bolsonaro diz que a ação “atrapalha a economia”.

“Fala para os caminhoneiros aí, que são nossos aliados, mas esses bloqueios atrapalham a nossa economia. Isso provoca desabastecimento, inflação e prejudica todo mundo. Então, dá um toque no caras aí, se for possível, para liberar, tá ok? Para a gente seguir a normalidade”, disse o presidente no áudio.

Gargalhei e me arrependi depois. É inacreditável. Seria cômico, não fosse trágico. Quem atrapalha a economia, presidente, é o senhor ao mostrar ao mundo que está descompensado na presidência. Até os Estados Unidos soltaram alerta aos seus cidadãos por conta de sua irresponsabilidade. Agora aguenta, Jair. A ideia foi sua.

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