Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia
Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

A pergunta incômoda sobre as manifestações anti-Bolsonaro

É inegável que elas carregam um sentimento mais nobre do que atos negacionistas pró-governo, mas será mesmo que não elevará o risco nesse momento?

Por Matheus Leitão Atualizado em 5 jul 2021, 15h16 - Publicado em 5 jul 2021, 14h45

A pandemia do novo coronavírus ainda não acabou. Até pelo fato de o governo Jair Bolsonaro ser tão ruim, tão ruim, seja na gestão da pandemia, seja em outros aspectos, estamos muito atrasados na vacinação.

Enquanto alguns países já passaram da marca dos 50% da população vacinada, somente agora chegamos a 13% dos brasileiros totalmente imunizados.

É óbvio que o povo na rua contra um governo como o do presidente Bolsonaro é natural, legítimo e mais do que necessário. Mas será mesmo que não elevará o risco nesse momento em que está havendo cada vez mais casos da variante delta?

Opositores de esquerda, de centro, jornalistas dos mais diversos veículos criticam as aglomerações, “motosseatas”, carreatas e manifestações organizadas por Jair Bolsonaro. É ou não é?

Esta coluna mesmo criticou algumas vezes o fato de o presidente desrespeitar as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS), reunindo apoiadores e até arrancando máscara de criancinha.

Continua após a publicidade

As manifestações anti-Bolsonaro tem criado momentos bonitos, com hinos de carnaval sobre os direitos humanos, direitos dos mais miseráveis deste país, dos negros e índios. É inegável que carregam um sentimento mais nobre do que atos negacionistas pró-governo.

Os organizadores e manifestantes de esquerda costumam dizer que há um perigo maior, que é o governo Bolsonaro com sua desastrosa política sanitária precisando ser contido. Se Bolsonaro achar que é o único dono da rua, ele aprofundará sua estratégia lesiva à saúde dos brasileiros.

Ao contrário do que acontece nos movimentos pró-governo, as pessoas vão de máscaras, e tomam medidas de proteção, mas evidentemente não conseguem evitar as aglomerações. E elas, como sabemos, são perigosas.

Mesmo com a média de mortes em queda de 26% – a menor desde 11 de novembro – o país ainda registra 1.542 mortes por dia, se pegarmos a última semana antes das manifestações contra o presidente.

É triste dizer isso, mas é bem provável que o povo na rua contra o Bolsonaro leve ao aumento dos óbitos pela Covid-19. E ao aumento da circulação do vírus entre os mais vulneráveis de um país que parece estar numa armadilha: se não protestar, o governo fica mais forte, se for para a rua eleva o risco de contágio.

Continua após a publicidade
Publicidade