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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

A frase enigmática de Bolsonaro que serve para Guedes e Queiroga

Presidente admite que não há nada tão ruim que não possa piorar...

Por Matheus Leitão 28 set 2021, 15h26

Durante discurso no Palácio do Planalto nesta segunda, 27, o presidente Jair Bolsonaro fez uma declaração enigmática e afirmou: “E tem um ditado que diz: nada não está tão ruim que não possa piorar. Nós não queremos isso”.

Bolsonaro estava falando sobre a alta da gasolina e do dólar, mas não deixou claro se o que está ruim – e pode piorar – é o seu governo ou governos anteriores. Seria um ato falho de um presidente que admite que não está indo bem na gestão do país?

É fato que o atual governo consegue piorar situações que já são naturalmente ruins. No caso da pandemia, por exemplo, as milhares de mortes e milhões de casos não foram suficientes para incentivar a equipe de Bolsonaro a comprar vacinas em 2020. O atraso na compra do imunizante é alvo de investigação no Senado, inclusive.

Outro momento em que o ruim ficou ainda pior foi a declaração do Ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o aumento na conta de energia. Enquanto o país enfrenta uma crise hídrica grave, Guedes deu a entender que não há nenhum problema em pagar uma conta mais cara. “Qual o problema agora que a energia vai ficar um pouco mais cara porque choveu menos?”, questionou o ministro.

O Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, também segue o ditado de que nada é tão ruim que não possa piorar. Além da péssima gestão à frente do Ministério da Saúde, deu um show de falta de educação em Nova York fazendo gestos obscenos para manifestantes contrários ao governo, deixou de usar a máscara de proteção facial em diversos momentos e agora cumpre quarentena depois de testar positivo para a Covid-19.

Ao lembrar o ditado durante seu discurso, Bolsonaro poderia estar facilmente falando de si mesmo e de sua equipe. Desde o início de seu mandato, o presidente não se importa em apagar incêndios. Pelo contrário, joga mais lenha na fogueira, provoca autoridades em situações de conflito e cria crises sucessivas com uma política agressiva e autoritária.

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