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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

A conta dos militares vai chegar

Vínculo com o presidente Bolsonaro está afetando cada vez mais a imagem das Forças Armadas

Por Matheus Leitão Atualizado em 24 ago 2021, 08h26 - Publicado em 24 ago 2021, 08h14

Não foi por falta de aviso. Já é possível ver os danos causados pelo envolvimento direto das Forças Armadas com o governo Jair Bolsonaro. Pesquisa do PoderData divulgada na última semana mostra que a avaliação do trabalho dos militares piorou.

Segundo o levantamento, 29% dos entrevistados considera o trabalho das Forças Armadas ruim ou péssimo. Em abril, esse índice era de 18%. Ao mesmo tempo, o percentual de pessoas que avalia o trabalho dos militares como ótimo ou bom caiu de 39% em abril para 30% em agosto.

É impossível não relacionar esses resultados com a ligação dos militares ao presidente encrenqueiro. Como esta coluna já avisou inúmeras vezes, quando as Forças Armadas deixam de ser uma instituição de Estado para se tornar uma instituição de governo, o resultado não pode ser bom.

Bolsonaro construiu sua caminhada até a presidência vinculando sua imagem à dos militares e ninguém tentou impedir isso. Como um parasita, o presidente continua tentando usar a boa imagem do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para se promover.

O problema é que essa boa imagem e essa credibilidade estão finalmente começando a diminuir. O desfile de blindados realizado no início de agosto, por exemplo, mostra como os militares se deixaram politizar e o brasileiro está vendo isso.

Pela pesquisa, também é possível ver que o apoio às Forças continua grande entre os apoiadores do presidente, comprovando, mais uma vez, o vínculo de um com o outro.

Entre os que consideram o trabalho do presidente ótimo ou bom, 70% dizem o mesmo sobre os militares. Entre os que avaliam o trabalho de Bolsonaro como ruim ou péssimo, 49% também avaliam de forma negativa o trabalho das Forças Armadas.

É uma pena que instituições permanentes se curvem às vontades de um governo, que é passageiro. Até o fim do mandato de Bolsonaro, essa avaliação deve cair ainda mais se o relacionamento continuar como está. No dia 7 de setembro, o brasileiro deve ter mais uma prova de que os militares abriram suas portas para o governo e não pretendem fechá-la tão cedo. O sinal que deram de suspender o desfile já é bom, pelo menos.

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