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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

A celebração macabra de Bolsonaro 

Presidente comemora retrocesso nas pesquisas da CoronaVac, quando país já soma mais mortos por Covid do que vítimas de acidentes de trânsito e homicídios 

Por Matheus Leitão Atualizado em 10 nov 2020, 23h30 - Publicado em 10 nov 2020, 20h10

A comemoração de Jair Bolsonaro diante da suspensão dos testes da CoronaVac por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) chega a ser estarrecedora. Enquanto o mundo corre contra o tempo para salvar vidas, o presidente celebra o retrocesso em busca do controle de uma doença que já matou no Brasil mais pessoas em 2020 do que vítimas de homicídios e acidentes de trânsito em todo o ano de 2019.

Bolsonaro não esconde ser desafeto político do governador de São Paulo, João Doria, que vem investindo nas pesquisas do Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac para a descoberta de uma vacina contra o novo coronavírus.

Mas, como presidente do país, deveria torcer para dar certo. Afinal, já faleceram 162.638 pessoas no Brasil nestes oito meses de pandemia, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa divulgados nesta segunda-feira, 9.  Em média, morrem 677 brasileiros por dia de Covid-19. É como se caíssem mais de 3 boings 737-800 todos os dias no país – cada aeronave tem capacidade para transportar até 189 passageiros.

A devastação do coronavírus no Brasil é tamanha e já supera números tradicionalmente assustadores, como o de vítimas de crimes violentos. Segundo o Ìndice Nacional de Homicídios, criado pelo G1 com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal, em 2019 foram registrados 41.635 assassinatos no país – 121.003 a menos do que os falecidos por Covid em oito meses.

Os mortos em decorrência da doença também ultrapassam a quantidade de vítimas de acidentes de trânsito em 2019: 30.371, de acordo com informações preliminares do Ministério da Saúde, ou seja,  132.267 a menos do que acometidas pela pandemia.

Somando a quantidade de falecidos no trânsito com as vítimas de homicídios, temos um total de 72.006 mortos em 2019, 90.632 a menos do que as vítimas da Covid-19. Com estatísticas tão tristes, a torcida e apoio às pesquisas por uma vacina contra o coronavírus deveriam estar entre as prioridades de qualquer líder.

Não é o caso de Bolsonaro. No final de um dia ele ainda arrematou. “O Brasil tem que parar de ser um país de maricas”. Num evento para o setor de turismo ele repetiu que a doença foi “superdimensionada” e definiu a imprensa como sendo a “urubuzada”. Segundo ele, “lamento os mortos, mas todos nós vamos morrer um dia”. Macabro do começo ao fim do dia.

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