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PT dá sinais de que a autonomia do BC será alvo da campanha em 2022

Um dos principais conselheiros econômicos de Lula, Fernando Haddad disse que presidente tem de ter poder para demitir chefe da autoridade monetária

Por Bruno Ribeiro 15 out 2021, 16h43

Em pronunciamentos que tem feito nos últimos meses dentro de sua campanha para retornar ao Palácio do Planalto, o ex-presidente Lula tem pregado como “soluções” à crise do país recuos preocupantes na economia, como o fim do teto de gastos, aumento da presença do estado e revisão de privatizações. Outro alvo bastante provável é o atual regime do Banco Central. Ao comentar a recente aprovação do projeto de lei pela Câmara dos Deputados que garantiu a autonomia do BC, Lula declarou que a proposta “entrega” a administração do banco ao sistema financeiro e, mais do que isso, “desmonta” tudo o que foi construído no país nos últimos anos.

Mais recentemente, em encontros com empresários, um dos principais conselheiros econômicos de Lula, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT), reforçou a convicção de que a autonomia do BC está na mira do PT para 2002. Nesses encontros, Haddad repetiu críticas feitas por Lula à nova lei, sancionada em março pelo presidente Jair Bolsonaro, por meio da garantia de um mandato ao presidente da instituição. A VEJA, o ex-prefeito disse que o titular do cargo deve ter independência para tomar decisões sobre a política monetária, mas que ele pode ser demitido pelo presidente da República caso seja vontade do mandatário.”O país não pode correr o risco de escolher mal o presidente do Banco Central e ter de conviver com isso por quatro anos. O que defendo é o modelo de independência que existia no governo Lula”, afirmou.

Haddad afirmou que essa é sua posição pessoal e que ainda não debateu o tema com o ex-presidente. Mas o PT critica há tempos a proposta de autonomia da instituição financeira e chegou a ir ao STF contra a nova legislação — a ação foi derrotada por 8 votos a 2. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, foi nomeado para o cargo segundo as novas regra em abril, e tem mandato até 31 de dezembro de 2024.

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