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PSDB faz duras críticas a Paulo Guedes: ‘Ministro da semana que vem’

Carta aberta divulgada nesta quarta-feira pelo partido é uma resposta às crítica feitas pelo ministro da Economia ao Plano Real

Por Da Redação - Atualizado em 8 jul 2020, 16h48 - Publicado em 8 jul 2020, 16h26

O PSDB emitiu nesta quarta-feira, 8, uma carta aberta ao ministro da Economia, Paulo Guedes, com duras críticas e ele e à falta de resultados da política econômica do governo. O partido, embora não integre a base aliada, costuma votar a favor de pautas econômicas da gestão Jair Bolsonaro no Congresso.

O documento, assinado pelo presidente do partido, deputado federal Bruno Araújo (PE), é uma resposta a declarações críticas do ministro contra o Plano Real, feitas no domingo 5, na qual minimizou a importância do programa econômico que norteou o governo Fernando Henrique Cardoso. Entre outras críticas, Guedes avaliou que o plano falhou no enfrentamento das questões cambial e fiscal.

“Se o plano fosse tão extraordinário, eles (tucanos) não perdiam quatro eleições seguidas”, afirmou em entrevista à CNN Brasil. Na verdade, desde a saída de FHC da Presidência da República, o PSDB foi derrotado em cinco eleições – 2002, 2006, 2010, 2014 (as quatro para um candidato do PT) e 2018 (quando nem foi ao segundo turno contra Jair Bolsonaro).

Para o presidente do PSDB, “o atual ministro da Economia tem sido reincidente em suas declarações públicas contra o PSDB”. “Parece coisa de gente que até agora não conseguiu ser parte relevante de um único momento memorável sequer da história do nosso país”, escreveu Bruno Araújo.  “Só isso, ou alguma absoluta amnésia, explica a tentativa (…) de tentar diminuir a relevância do Plano Real ou de outras conquistas econômicas e sociais promovidas pelo PSDB em seus governos”.

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O partido lembra que “Paulo Guedes talvez não se lembre, mas a hiperinflação era um mal que consumia o dinheiro das pessoas, tornava os pobres mais pobres e, acima de tudo, destruía qualquer perspectiva de futuro para o país”. “Paulo Guedes talvez não se importe com coisas desta natureza”, afirma Araújo.

O dirigente tucano afirma que seria “melhor para o país se o ministro ocupasse seu tempo com uma agenda de realizações que busque cumprir o básico de quem está num governo: ajude a melhorar a vida das pessoas, ainda mais num momento tão difícil quanto o atual”.

Segundo ele, passados 18 meses, “o ministro da Economia continua no vermelho, continua devendo”. “Até agora, Paulo Guedes foi apenas o ministro do ‘semana que vem nós vamos’, ministro de uma semana que nunca chega. Ficou sempre para a ‘semana que vem’ a apresentação da reforma tributária, a proposta da reforma administrativa que combata privilégios, da privatização de estatais que só servem para sorver dinheiro público. Cadê o Brasil novo que o atual ministro tanto promete e nunca entrega?”, afirmou.

Em post publicada na segunda-feira 6, o colunista de VEJA Thomas Traumann usou a mesma expressão – “ministro semana que vem” – para enumerar vários anúncios feitos por Guedes, que, no entanto, demoraram ou até hoje não aconteceram. Em 23 de setembro de 2019, por exemplo, ele afirmou, em um seminário em Belo Horizonte, que a reforma tributária seria enviada ao Congresso. “Semana que vem acho que a gente já começa a entrar com a nossa proposta tributária”, afirmou, “A semana que vem” de Guedes nunca chegou. (a coluna pode ser lida aqui).

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O tucano também defende que o Brasil moderno nasceu nos governos do PSDB e lista realizações das gestões tucanas, como “estabilidade econômica e inédita transferência de renda”, privatizações de serviços como o da telefonia, a Lei de Responsabilidade Fiscal, a universalização do ensino fundamental (“de tempos em que o Ministério da Educação cuidava de educação”, enfatiza a nota) e a criação dos medicamentos genéricos (“de quando o país tinha ministro da Saúde)”.

 

Segundo o PSDB, enquanto as gestões tucanas promoviam essas mudanças, “Jair Bolsonaro, o chefe do atual ministro, mantinha-se gostosamente abraçado ao Partido dos Trabalhadores na trincheira contra a modernização do país”. “Votava contra todas as reformas, contra o Plano Real, contra as privatizações e sempre pela manutenção e pela ampliação de privilégios e interesses corporativos. Talvez seja isso que explique a raiva que Paulo Guedes sente pelo PSDB…”, afirma.

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