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Procurador que enfureceu o STF pede para deixar a Lava Jato

Diogo Castor de Mattos foi alvo de dura reprimenda do presidente da Corte, Dias Toffoli, por ter dito que o Supremo preparava um ‘golpe’ contra a operação

Por Da Redação - Atualizado em 6 abr 2019, 21h59 - Publicado em 6 abr 2019, 21h57

Diogo Castor de Mattos, procurador da República que está à frente da Lava Jato em Curitiba desde o seu início, não é mais membro da força-tarefa da operação. E a seu pedido.

Segundo nota do Ministério Públiuco Federal, o procurador “solicitou seu desligamento dos trabalhos da força-tarefa Lava Jato em Curitiba”. “A força-tarefa agradece a Diogo Castor pelos cinco anos em que se dedicou, com excepcional esforço, às investigações”, diz o texto.

Mattos – que era mais discreto que alguns de seus colegas como Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa paranaense, e Carlos Fernando dos Santos Lima, que também já saiu – ganhou uma notoriedade inesperada no dia 13 de março, durante sessão do Supremo Tribunal Federal.

Naquele dia, o STF iniciava o julgamento de uma questão fundamental para a Lava Jato: se crimes comuns cometidos em conexão com delitos de campanha deveriam ir para a Justiça Eleitoral ou deveriam ser alvos da Justiça criminal, como defendiam os membros da operação.

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A Lava Jato perdeu, e os ministros decidiram, por 6 votos a 5, pelo envio desses casos para a Justiça Eleitoral.

Antes da sessão, Diogo Castor de Mattos havia escrito um artigo no qual dizia que o STF tramava um “novo golpe” contra a Lava Jato e que “a Justiça eleitoral “historicamente, não condena ou manda ninguém para prisão”. Durante a sessão, foi alvo de uma dura reprimenda do presidente da Corte, Dias Toffoli.

“Anuncio uma representação ao Conselho Nacional do Ministério Público e à Corregedoria do Ministério Público Federal em razão dos ataques desse procurador à Justiça Eleitoral. Não é admissível esse tipo de ilação. Críticas, no debate jurídico, a respeito do posicionamento técnico-jurídico, isto é necessário e faz parte da dialética, por isso que os tribunais são feitos de forma colegiada. Agora, a injúria, a difamação e a calúnia não serão admitidas”.

E Toffoli disse mais: anunciou a abertura de um inquérito para investigar ameaças e fake news contra a atuação do Supremo e de seus ministros. O responsável pela investigação é o ministro Alexandre de Moraes, ex-procurador do Ministério Público de São Paulo.

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