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Por que três militantes bolsonaristas ainda continuam na prisão?

Endereços suspeitos estão entre os motivos da detenção de Oswaldo Eustáquio, Antonio Bronzeri e Jurandir Alencar – os dois últimos estão presos há 47 dias

Por Eduardo Gonçalves - Atualizado em 2 jul 2020, 17h41 - Publicado em 2 jul 2020, 17h29

A maioria dos militantes pró-Bolsonaro alvos de inquéritos por ameaças a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e incentivo a protestos antidemocráticos já deixaram a prisão, com exceção de três homens – Oswaldo Eustáquio segue preso há sete dias na carceragem da Polícia Federal em Brasília, e Antonio Bronzeri e Jurandir Alencar estão há 47 dias no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Belém, na cidade de São Paulo.

Entre os motivos alegados para manter a prisão do trio, que não são acusados no mesmo processo, há um ponto convergente – o endereço informado à Justiça. Nesta quinta-feira, 2, o advogado de Eustáquio, Elias Mattar Assad, enviou uma “carta aberta” endereçada ao procurador-geral da República, Augusto Aras. O texto diz que houve um “equívoco com relação a endereços que derivaram na suposição de fuga” – a PF suspeitava que ele estava tentando sair do Brasil ao Paraguai, mesmo na condição de investigado no inquérito que apura um suposto esquema de financiamento de atos antidemocráticos pelo país.

O defensor destaca que Eustáquio é “jornalista profissional” e que a sua prisão gera “insegurança nacional em todos os meios de comunicação”. Nesta quinta-feira, o jornalista sofreu um mal-estar na carceragem e precisou ser socorrido pelo Samu. “Agora, ele está bem”, disse Mattar a VEJA. No pedido judicial, a PF afirmou que a localização de Eustáquio continua “obscura” pelo fato de ele ter informado como residência a casa de seus pais, em Brasília. Em vídeos nas redes sociais, o próprio influencer fez postagens mostrando que estava em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã (MS).

No caso de Alencar e Bronzeri, eles estão presos desde o dia 16 de maio por terem descumprido medidas cautelares para se recolherem em casa à noite e sob o argumento de “garantir a ordem pública” – eles haviam sido presos inicialmente no dia 2 de maio após fazerem um protesto em frente ao prédio do ministro do STF Alexandre de Moraes, em São Paulo.

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Às autoridades, eles informaram como residência o endereço do acampamento “Fora Doria”, que havia sido montado em frente à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O Ministério Público viu nisso um “claro artifício dos investigados para ludibriar a autoridade das decisões do Poder Judiciário”. O primeiro advogado Danilo Garcia de Andrade, pontuou que a prisão estava coberta de ilegalidades e que, na ocasião, os dois, de fato, estavam morando no acampamento. A atual defesa dos manifestantes não quis se pronunciar pelo fato de o processo tramitar em sigilo.

 

 

 

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