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PF quer saber por que chinês pagou R$ 500 mil a marqueteiro de Bolsonaro

Investigadores apuraram que uma confecção da Rua 25 de Março, região de comércio popular em São Paulo, fez repasses ao estrategista do Aliança Pelo Brasil

Por Edoardo Ghirotto e Eduardo Gonçalves Atualizado em 7 jun 2021, 20h55 - Publicado em 7 jun 2021, 20h16

Investigações feitas pela Polícia Federal no inquérito dos atos antidemocráticos apontaram para o recebimento de valores suspeitos por parte do publicitário Sergio Lima, que atua como marqueteiro do Aliança Pelo Brasil, o partido que o presidente Jair Bolsonaro pretende criar. Segundo a PF, repasses que somam 500 mil reais foram feitos à empresa de Lima, a Inclutech Tecnologia da Informação LTDA, por uma confecção localizada na Rua 25 de Março, região de comércio popular em São Paulo, e que pertence a um cidadão de origem chinesa.

A PF pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o caso seja desmembrado para um inquérito próprio, a fim de investigar qual é a origem do dinheiro depositado para Lima. Além de pagamentos feitos pela Maschietti Confecções LTDA, o publicitário recebeu outras quantias consideradas suspeitas entre os dias 19 de abril de 2019 e 3 de maio de 2020. O advogado Luis Felipe Belmonte, vice-presidente do Aliança Pelo Brasil, transferiu 700 mil reais para a Inclutech e 1,05 milhão de reais para a conta pessoal de Lima.

Uma reportagem da Agência Pública, veiculada em 8 de maio de 2020, mostrou que a Inclutech era uma empresa de cosméticos até fevereiro do ano passado. Após mudar a atividade econômica da companhia, Lima passou a ter os serviços contratados por deputados federais do PSL. No pedido em que solicita um novo inquérito, a PF diz querer investigar as razões que levaram Bia Kicis (DF), General Girão (RN), Guiga Peixoto (SP) e Aline Sleutjes (PR) a transferirem um total de 30.300 reais da cota parlamentar ao marqueteiro.

  • Em depoimento à PF, Lima disse que os valores recebidos da confecção eram referentes a um empréstimo feito por um sócio “coreano” que havia ingressado na Inclutech. Lima identificou o parceiro comercial como “Jaco”, alegando que, “por ser coreano, não sabe precisar o nome do sócio”.

    O publicitário também afirmou que as quantias recebidas de Belmonte dizem respeito à prestação de serviços nas redes sociais do advogado e a um empréstimo. Nove transferências, que totalizam 480 mil reais, foram feitas à Inclutech por meio do escritório de advocacia de Belmonte. Quando foi questionado sobre o motivo de ter recebido o montante nessas condições, Lima declarou que não acompanhou as negociações com Belmonte e pediu para que a PF solicitasse explicações de outro sócio da Inclutech, chamado Walter Bifulco.

    O marqueteiro ainda afirmou que foi contratado pelos deputados do PSL por ter expertise em “marketing de performance”. Segundo o depoimento da deputada Bia Kicis, ele iria “uniformizar as redes sociais” e “treinar a equipe” responsável pelos perfis digitais.

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