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O que está por trás do apoio do PSDB mineiro a Eduardo Leite

Além de dificultar a candidatura de Doria, grupo de Aécio mantém aberta a possibilidade de a sigla não ter candidato e redirecionar verba do fundo eleitoral

Por Da Redação 14 set 2021, 10h55

O diretório do PSDB em Minas Gerais – o segundo maior do partido, com 12% do colégio eleitoral tucano – decidiu na noite de segunda-feira, 13, apoiar a candidatura do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, nas prévias que irão escolher o candidato da sigla à Presidência da República no dia 21 de novembro. Os outros postulantes são o governador paulista João Doria, o senador Tasso Jereissati e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio.

A decisão, que já era esperada, teve o dedo do deputado federal Aécio Neves (MG), e embute dois objetivos: tentar barrar a candidatura do desafeto Doria e deixar aberta a possibilidade de o partido não ter candidato ao Planalto em 2022 e compor com alguém do centro, eventualmente ocupando a vaga de vice – na visão dos aecistas, essa pretensão fica mais fácil com Leite.

O pano de fundo da disputa, no entanto, é o dinheiro de campanha. Doria afirma que a intenção dos aecistas é, ao final, não ter candidato a presidente e, com isso, concentrar a verba do fundo eleitoral nas candidaturas a governador, senador e deputados, o que agrada mais ao projeto de Aécio. O PSDB é dono de uma das maiores fatias do fundo eleitoral. Na eleição de 2018, a candidatura presidencial de Geraldo Alckmin ficou com 49,7 milhões de reais do total de 185,9 milhões de reais distribuído ao partido (27% do total). “Nem João Doria, nem Eduardo Leite, nem Arthur Virgílio e muito menos Tasso Jereissati, ele (Aécio) quer que o fundo eleitoral fique à disposição dele mesmo”, explicitou o governador de São Paulo em entrevista à CNN Brasil no final de julho.

Na semana passada, a visita do tesoureiro nacional do PSDB, César Gontijo, aliado de Doria, a Minas Gerais provocou um rebuliço. O deputado estadual Gustavo Valadares, líder do governo Romeu Zema (Novo) na Assembleia mineira, e o presidente do partido em Minas, deputado federal Paulo Abi-Ackel, aliados de Aécio, viram na movimentação uma tentativa de Doria de cooptar prefeitos que receberam verba do fundo eleitoral em 2020 para apoiar a sua candidatura. “Valadares está certo ao questionar atitude que não é ética. Prévias livres e democráticas: é o que queremos! Os mineiros não aceitam pressão”, disse Abi-Ackel.

Para os tucanos paulistas, a decisão de Minas não afeta o andamento da disputa, já que ela era esperada e estava contabilizada nos cálculos do governador de São Paulo. “Zero”, disse um aliado de Doria, sobre o impacto do apoio mineiro a Leite.

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