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O primeiro caso de corrupção em um dos presídios mais seguros do país

PF prendeu agente penal da penitenciária federal de Catanduvas, que recebia e entregava bilhetes de líderes do Comando Vermelho

Por Eduardo Gonçalves 16 jun 2021, 10h41

Encarcerados no sistema federal penitenciário – considerado o mais seguro do país -, chefes do Comando Vermelho passavam ordens sobre compra de drogas e armas aos seus subordinados em liberdade por meio de um agente penitenciário acusado de corrupção. É o que revela uma investigação conduzida pela Polícia Federal do Paraná, que cumpriu 26 mandados de prisão preventiva nesta terça-feira, dia 15, entre eles o do servidor federal Docimar de Assis.

Assis não era um funcionário comum na penitenciária. Com mais de 15 anos de carreira, ele era o chefe de Vivência, posto que lhe dava direito a entrar em setores da unidade sem a presença de outros funcionários. Nesses momentos, ele entregava e recebia bilhetes por meio da portinhola das celas, segundo flagrantes  feitos  pela PF.

Os presos com quem ele mantinha relações também não eram nada comuns. Eram as principais cabeças do Comando Vermelho no Rio de Janeiro:  Fabiano Atanásio (FB), Marco Firmino da Silva (My Thor), Marcio dos Santos Nepomuceno (Marcinho VP) e Pedro dos Santos (Matemático), entre outros, que estão recolhidos em regime federal justamente devido à sua periculosidade e posição de chefia no crime organizado do país.

Bilhetes dos presos interceptados pela Polícia Federal
Bilhetes dos presos interceptados pela PF PF/Reprodução

O presídio de Catanduvas foi o primeiro a ser inaugurado pela União em 2006 e é considerado modelo ideal de penitenciária no país. Ele seria à prova de fugas, de rebeliões e de tráfico de celulares. Este é o primeiro caso de corrupção que vem à tona no sistema federal, cujas unidades mantém encarceradas lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) e da máfia italiana, além do Comando Vermelho. “Gostaríamos de ressaltar que a nossa confiança plena no sistema penitenciário federal permanece. Houve um desvio muito pontual de conduta”, assegurou o delegado da PF Eder Magalhães no anúncio da Operação, lembrando que as investigações também envolveram o setor de inteligência do presídio.

A PF conseguiu rastrear que o agente penal atuou como pombo-correio dos presos em pelo menos 32 oportunidades, entre 2020 e 2021. Mas há a suspeita de que o esquema funcionasse há mais de 4 anos devido ao “patrimônio a descoberto infinitamente superior aos seus ganhos como servidor público” que ele acumulou nesse período, conforme assinala o relatório. Além dos flagras em imagens, os investigadores ainda descobriram mensagens telefônicas em que parentes dos presos falam sobre um “esquema de mandar uma carta lá, pelo agente”.

“Ele não gastava nada do salário e movimentava o dinheiro em espécie, de propina”, afirma o delegado da Polícia Federal Martin Bottaro Purper. “[Ele] fazia o link com uma advogada e daí o link com os gerentes do tráfico de drogas do Rio de Janeiro”, completa. O agente penal é acusado dos crimes de corrupção, associação criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Os outros envolvidos no esquema, o que inclui os líderes da facção já presos, também devem responder pelos mesmos delitos.

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