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O ‘point’ do suposto operador de Renan Calheiros no Senado

Segundo informações da Polícia Legislativa ao STF, lobista foi 22 vezes ao gabinete do ex-senador Gim Argello, ex-aliado de Renan, em nove meses

Por João Pedroso de Campos Atualizado em 21 nov 2021, 16h06 - Publicado em 21 nov 2021, 16h04

Apontado por investigações da Polícia Federal como operador de propinas ao senador Renan Calheiros (MDB-AL), o lobista Milton Lyra era frequentador assíduo do Senado. Informações apresentadas pela Polícia Legislativa da Casa ao Supremo Tribunal Federal em um inquérito que investiga Renan mostram que, entre fevereiro de 2011 e dezembro de 2012, Lyra esteve 52 vezes nas dependências do Senado, mais especificamente nos gabinetes de quatro senadores.

Embora esteja ligado mais intimamente pelas investigações a Renan Calheiros, não foi o emedebista alagoano, ao menos diretamente, o maior anfitrião de Milton Lyra na Casa. Segundo os registros, Lyra alegou oficialmente ter ido apenas uma vez ao encontro de Renan, no gabinete da Liderença do PMDB no Senado, posto então ocupado pelo cacique do partido, em maio de 2011.

O campeão de visitas é o ex-senador Gim Argello (PTB-DF), aliado bastante próximo de Renan enquanto ocupava uma cadeira no Senado, depois preso e condenado na Operação Lava Jato. O gabinete de Argello e a Liderança do PTB na Casa, que ele exercia, foram o destino do lobista em 26 ocasiões no período, 22 da quais concentradas apenas nos nove meses entre março e dezembro de 2012. Gim Argello também era do círculo de Milton Lyra e já até posou para uma foto ao lado dele, durante a Copa do Mundo de 2014 (veja acima).

Outro que também recebeu visitas de Miltinho, como é conhecido, foi o ex-senador Romero Jucá (RR), uma das antigas cabeças coroadas do chamado “PMDB do Senado”: três visitas em oito dias, entre 25 de maio e 1º de junho de 2011, e mais duas em 2012, em março e novembro. Ainda na lista de encrencados pela Lava Jato, o ex-senador petista Delcídio do Amaral também recebeu uma visita de Milton Lyra. O lobista ainda passou dezessete vezes pelo 14º andar e uma vez pelo 10º andar e o 15º andar do Anexo I do Senado, sem especificar exatamente seu destino.

Na documentação remetida ao ministro do STF Edson Fachin, relator do inquérito sobre Renan Calheiros, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), a Polícia do Senado pondera que não confirma se os visitantes se dirigem, de fato, aos locais registrados no momento do cadastro, nem se eles são efetivamente recebidos pelas autoridades dos gabinetes informados.

O inquérito que tem o emedebista alagoano na mira apura se ele foi beneficiado com as vantagens indevidas em 2012, em troca de sua atuação a favor de um projeto de interesse da Odebrecht. O Projeto de Resolução do Senado 72/2010 limitava a concessão de benefícios fiscais por estados a produtos importados, medida que beneficiava a Braskem, braço petroquímico do Grupo Odebrecht. Por meio das andanças de Lyra na Casa, os investigadores querem encontrar evidências de que ele participou dos supostos crimes.

Renan havia sido indiciado pela Polícia Federal pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo suposto recebimento de 1 milhão de reais da empreiteira baiana. A PGR, no entanto, manifestou-se contra o indiciamento por entender que não cabe à PF fazê-lo em relação a autoridades com foro privilegiado no STF. O inquérito foi aberto em março de 2017, com base nas delações premiadas de executivos da Odebrecht.

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