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O estrago do problema do aplicativo do PSDB na votação das prévias tucanas

Contabilidade que circula nos bastidores da cúpula tucana dá conta de que, após 5 horas, apenas 5,8% dos filiados conseguiram acessar sistema para votar

Por Redação Atualizado em 21 nov 2021, 14h30 - Publicado em 21 nov 2021, 13h55

Mais de cinco horas após o início da votação das prévias do PSDB à Presidência da República, problemas de acesso ao aplicativo para registro dos votos de tucanos estão deixando em polvorosa os bastidores do partido. Uma contabilidade que passou a circular entre a cúpula do tucanato, reunida em Brasília, dá conta de que, dos cerca de 45.000 filiados e mandatários inscritos para votar nas prévias, apenas 2.600, ou seja, 5,8%, conseguiram efetivamente acessar o sistema e dar seus votos.

Presidente da comissão que organiza as prévias tucanas, o senador José Aníbal (SP) se mostrou preocupado com o acesso ao sistema durante sua participação em um painel no evento das prévias, na capital. Aníbal afirmou que um dos problemas está ocorrendo na biometria facial que dá acesso ao aplicativo. O contratempo é um constrangimento ao presidente do PSDB, Bruno Araújo, que defendeu o sistema de votação via aplicativo, em detrimento de cédulas de papel.

Por volta das 12h30 deste domingo, os presidentes do PSDB no estado e na cidade de São Paulo, Marco Vinholi e Fernando Alfredo, aliados do governador paulista, João Doria, divulgaram uma nota afirmando que até àquela altura haviam sido quatro horas e meia “praticamente sem o funcionamento do aplicativo”. Eles pediram providências ao partido e citaram “prejuízo enorme” aos filiados que não conseguem votar.

Doria é o maior prejudicado pelos problemas de acesso, já que os tucanos paulistas são 62% dos cadastrados ao voto pelo aplicativo. Além do governador de São Paulo, disputam as prévias o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o ex-senador e ex-prefeito de Manaus Arthur Virgilio.

Presidente do PSDB em Minas Gerais, outro estado de peso dentro do partido, que apoia Leite, o deputado federal Paulo Abi-Ackel também divulgou uma nota a respeito do problema no sistema. “O que se confirmou é bem mais do que uma instabilidade e, na realidade, uma dimensão inviabilizadora do legítimo direito ao voto”, diz o comunicado.

A ferramenta teve um custo de 1 milhão de reais, pago pela legenda com recursos do fundo partidário. O valor corresponde ao serviço de desenvolvimento do programa, que foi feito pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs), aditivos feitos ao contrato e o serviço de auditoria do sistema feito pela empresa de segurança cibernética Kryptus. Segundo auxiliares da campanha de João Doria, foram encontradas sete falhas que poderiam comprometer a confiabilidade do sistema. Mesmo com a Faurgs se comprometendo a corrigir as falhas encontradas pela auditoria, há temores de que o programa possa estar vulnerável a invasões por hackers.

Por causa desses problemas, em uma reunião na última segunda, 15, auxiliares de Eduardo Leite, chegaram a propor o adiamento do pleito — o governador do Rio Grande do Sul foi ao Twitter para desautorizar sua equipe e manter a votação para o dia 21. As campanhas de Doria e Virgílio foram contra o adiamento desde o início e, assim, os tucanos irão para a votação com os nervos à flor da pele neste domingo.

Mesmo com a Faurgs se comprometendo a corrigir as falhas encontradas pela auditoria, há temores de que o programa possa estar vulnerável a invasões por hackers. Por isso, equipes de campanha devem fazer um plantão para monitorar as votações.

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