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Novo critica Zema, governador do partido, por dar reajuste a servidores

Em nota oficial, sigla diz que ‘discorda de decisão’ e pede veto a projeto que eleva em R$ 20 bilhões ao ano os gastos do estado, que vive crise financeira

Por André Siqueira - 20 fev 2020, 13h26

O Novo emitiu uma nota, na quarta-feira 19, criticando a decisão do governador de Minas Gerais Romeu Zema , que é filiado ao partido, de conceder um aumento salarial de 41,7% para os servidores da área de segurança pública, que acabou sendo estendido pela Assembleia Legislativa para várias outras categorias do funcionalismo do estado. O texto afirma que é direito do funcionalismo pleitear reajuste, “mas a situação fiscal atual de Minas, que herdou uma condição de calamidade financeira, não permite qualquer gasto adicional”.

A proposta enviada por Zema previa o escalonamento do reajuste até 2022 e estimava um gasto extra anual de 5,6 bilhões de reais com a medida. Os deputados estaduais, no entanto, aprovaram uma emenda ampliando o alcance do benefício, o que elevou o impacto para os cofres públicos em mais de 20 bilhões de reais. O orçamento de Minas para 2020 já prevê um déficit fiscal de aproximadamente 13,3 bilhões de reais. 

“Defendemos que o governador vete todos os reajustes aprovados na ALMG, inclusive aqueles destinados à área de segurança (que foram propostos por Zema). Atuar com coerência, sempre em linha com nossos princípios e valores, é o nosso maior compromisso com o cidadão brasileiro e fundamental para consolidarmos o Novo como uma instituição diferenciada na política e os mineiros voltarem a ter o estado que merecem”, diz a nota divulgada no site oficial do partido. Dos três deputados estaduais do Novo, dois votaram contra.

Em nota, o governo estadual afirmou que “as emendas incorporadas ao projeto pelo Parlamento mineiro ainda não foram analisadas pelo Executivo” e que a situação financeira do estado será levada em consideração na análise. O Executivo também destacou que o impacto fiscal provocado pelo texto original do projeto “já havia sido avaliado e o encaminhamento do projeto está em conformidade com o atual entendimento do Tribunal de Contas sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal”.

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Único governador do partido Novo, o empresário Romeu Zema foi eleito de maneira surpreendente em 2018. Tido como candidato azarão ao longo da disputa, ganhou projeção e ultrapassou os adversários na corrida eleitoral na véspera do primeiro turno, quando participou do debate na TV Globo e declarou apoio ao candidato à Presidência Jair Bolsonaro.

Zema desbancou o então governador Fernando Pimentel (PT), que tentava a reeleição, e disputou o segundo turno contra Antonio Anastasia (PSDB), que já havia governado o estado por dois mandatos. O candidato do Novo foi eleito com 71,80% dos votos válidos (6.963.806 votos), contra 28,20% dos votos válidos (2.734.535 votos) do tucano.

Leia abaixo a íntegra da nota do partido Novo:

NOTA DO NOVO SOBRE O REAJUSTE DO FUNCIONALISMO DE MINAS GERAIS 

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O NOVO admira e apoia o excelente trabalho feito pelo governador Romeu Zema, mas discorda de sua decisão de conceder aumento salarial aos servidores da área de segurança.

O partido entende o direito dos servidores de pleitearem reajustes, mas a situação fiscal atual de Minas, que herdou uma condição de calamidade financeira, não permite qualquer gasto adicional.

Defendemos que o governador vete todos os reajustes aprovados na ALMG, inclusive aqueles destinados à área de segurança.

Atuar com coerência, sempre em linha com nossos princípios e valores, é o nosso maior compromisso com o cidadão brasileiro e fundamental para consolidarmos o NOVO como uma instituição diferenciada na política e os mineiros voltarem a ter o estado que merecem.

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