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Nas redes, Bolsonaro tenta emplacar a versão de que sempre apoiou a vacina

Com aprovação em baixa e a pandemia em alta, presidente se esforça para difundir a mensagem de que o governo sempre buscou a aquisição de imunizantes

Por Da Redação Atualizado em 25 mar 2021, 21h23 - Publicado em 22 mar 2021, 14h49

Com quedas nas taxas de aprovação de sua gestão e com o agravamento da pandemia nas últimas semanas, o presidente Jair Bolsonaro tem feito, quase diariamente, postagens em suas redes tentando passar a versão de que sempre defendeu e trabalhou para a aquisição de vacinas, o que não condiz com o seu comportamento — e de boa parte de seu governo –, principalmente ao longo do ano passado, mas também no início deste ano.

O histórico do presidente em relação ao tema inclui questionamentos à respeito da eficácia das vacinas, alertas equivocados sobre supostos efeitos colaterais — chegou a dizer que não se responsabilizaria se a pessoa tomasse a vacina e virasse um “jacaré” — e pouco empenho no fechamento de contratos para a aquisição das vacinas, como no caso da Pfizer, que procurou o governo em agosto de 2020, mas só conseguiu fechar contrato neste mês.

Quando a CoronaVac, produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, ligado ao governo do desafeto João Doria (PSDB), começou a ganhar a dianteira, Bolsonaro disse em várias oportunidades que não compraria o imunizante.

Bolsonaro vacina
Twitter/Reprodução

 

Bolsonaro vacina
Twitter/Reprodução

Quando a Anvisa suspendeu os testes com a CoronaVac por causa da morte de um voluntário — que foi vítima de suicídio, sem relação alguma com o medicamento –, Bolsonaro chegou a insinuar que havia vencido a discussão sobre o imunizante chinês, ao comentar o post de um simpatizante sobre o assunto.

Bolsonaro vacina
Facebook/Reprodução

O mesmo comportamento foi adotado por seus filhos e por gente influente do seu governo, como o assessor para assuntos internacionais, Filipe Martins, que ironizou, assim como o presidente, o fato de taxa global de eficácia da CoronaVac ter ficado em 50,38%.

Filipe vacina
Twitter/Reprodução

Por outro lado, em nenhum momento o presidente e seus aliados deixaram de defender o chamado “tratamento precoce”, que consiste na utilização de medicamentos como hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina, cuja eficácia no combate à doença não tem comprovação científica.

Mudança

Agora, tudo mudou. O esforço do presidente, de seus filhos e do governo tem sido direcionado na tentativa impossível de mostrar que sempre foram a favor da vacina.

No domingo, 21, Bolsonaro retuitou uma publicação da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República) que diz ser mentira que o governo “negligenciou a vacina contra Covid” e que o presidente e o governo buscam imunizantes seguros desde de março de 2020.

O presidente tem feito também várias postagens reforçando a entrega de doses, mesmo com imunização estando muito aquém da necessária para o momento do país — até agora, em torno de 5% da população foi vacinada. Em uma delas, ele afirma que “já foram distribuídas mais de 25 milhões de doses para todo o Brasil” e que “mais de 13 milhões de doses foram aplicadas” — a grande maioria distribuída até agora é de CoronaVac, justamente a vacina contra a qual ele fez campanha. Bolsonaro ainda vem recuperando ações antigas do governo, como a Medida Provisória assinada em agosto do ano passado para autorizar a compra de cem milhões de doses de vacinas.

A questão é que o governo demorou a fechar contratos ou impôs exigências que dificultaram a contratação. Os contratos para a compra de imunizantes da Pfizer — que começaram a ser aplicados no Reino Unido em dezembro — e da Jassen — que vendeu em janeiro, enquanto ainda estava em desenvolvimento, 100 milhões de doses aos Estados Unidos e negociava a venda de outras 400 milhões para União Europeia — somente foram concluídos na última quinta-feira, 18.

O problema é que, mesmo com os contratos assinados, essas doses vão demorar para chegar em razão da alta demanda que os laboratórios enfrentam neste momento. A Pfizer entregará 13,51 milhões de doses do imunizante no segundo trimestre e mais 86,48 milhões no terceiro. Já o acordo com a Janssen prevê 38 milhões de doses para o último trimestre de 2021.

Antes de fechar esses contratos, o governo federal apostou unicamente na vacina da Astrazeneca, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford, que terá as primeiras doses produzidas pelo Fiocruz, no Rio de Janeiro, entregues somente no final de março.

Os filhos do presidente também têm tentado apagar a postura que tiveram no início da crise divulgando o cronograma de entrega de vacinas pelo governo federal.

Apesar de Bolsonaro e filhos terem aumentado as postagens positivas sobre o tema, as publicações nunca recomendam à população se imunizar. O foco é sempre mostrar que o governo federal não negligenciou a compra de vacinas e nem a sua eficácia no combate à pandemia.

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