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Mudança da embaixada para Jerusalém dependerá de ‘avaliação de risco’

Ações terroristas e perdas no comércio exterior serão considerados; integrante do governo critica opiniões de 'palpiteiros' da política externa

Apesar da insistência do presidente eleito, Jair Bolsonaro, sobre a mudança da embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém, a decisão final dependerá de uma avaliação de riscos – entre eles, de ações terroristas no país – e será decisão exclusiva do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Fraga Araújo, informou a VEJA um integrante do futuro governo.

A área de política externa, segundo a mesma fonte, está contaminada pela ação de “palpiteiros”. Um deles seria o próprio filho do presidente eleito, o deputado Eduardo Bolsonaro. Nesta semana, em visita aos Estados Unidos, ele declarou que a mudança da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém não é questão de “se”, mas de “quando”.

“Este tema não pode ser tratado desse jeito, com declarações de palpiteiros, mas com base em uma avaliação de riscos. O presidente fez uma aproximação positiva com Israel, mas não há fanatismo por isso (a mudança da embaixada)”, afirmou. “Uma coisa é a campanha. Agora, pouco a pouco, vamos formando o perfil do governo.”

O entorno civil do presidente eleito tem sido favorável ao cumprimento desta sua promessa de campanha. Mas os militares, não. Os integrantes de quatro estrelas do futuro governo consideram que, além de inevitáveis perdas para as exportações brasileiras aos países do Oriente Médio (exceto Israel) e Norte da África, a instalação da embaixada do Brasil em Jerusalém abre uma polêmica desnecessária, com prejuízos em outras esferas.

O terrorismo é uma delas, potencialmente resultante de reações de grupos extremistas islâmicos. Em uma seara totalmente pacífica, a cooperação do Brasil vários países estaria também em risco. No Itamaraty, Nações que não são árabes nem muçulmanas, como a África do Sul, já demonstraram contrariedade com as declarações de Bolsonaro sobre o tema.

A posição do embaixador Ernesto Araújo sobre a questão ainda é uma incógnita. Araújo não concedeu nenhuma entrevista à imprensa nem fez declarações públicas desde que foi anunciado como futuro chanceler por Bolsonaro, em 14 de novembro. Em artigo publicado pelo jornal Gazeta do Povo, o futuro chanceler defendeu o desmonte da ideologia marxista do PT no Itamaraty.

Anterior aos governos do PT, a presença da embaixada do Brasil em Tel Aviv – uma posição baseada em resoluções das Nações Unidas, que não reconhecem a soberania de Israel sobre Jerusalém – não parece ter sido decidida com base em convicções marxistas. A legação do Brasil em Tel Aviv, representação substituída sete anos depois por uma embaixada, data de 1951.

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