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Médico brasileiro retorna ao país após Egito revogar detenção por assédio

Victor Sorrentino foi acusado de cometer ofensas sexuais ao publicar um vídeo em que faz piadas de cunho pejorativo e em português com uma mulher muçulmana

Por Amanda Capuano Atualizado em 6 jun 2021, 21h58 - Publicado em 6 jun 2021, 18h23

O médico gaúcho Victor Sorrentino, preso no Egito sob acusação de ofensa sexual, retornou ao Brasil neste domingo, 6, “após prestar todos os esclarecimentos solicitados e ser liberado pelas Autoridades Egípcias”, conforme nota divulgada por sua assessoria. O retorno acontece dois dias depois de o médico aparecer em um vídeo se desculpando com a vítima da “piada” de cunho sexual que o levou a ficar retido no país. Segundo os representantes de Sorrentino, “a prioridade [dele] é o reencontro com a família e, oportunamente, [ele] vai se manifestar publicamente sobre o ocorrido”.

No dia 24 de maio, Sorrentino publicou um vídeo em seu perfil no Instagram, com quase 1 milhão de seguidores, em que aparece fazendo o que considera ser uma “piada”, com trocadilhos de cunho sexual, com uma mulher muçulmana que tentava lhe vender um papiro durante viagem ao Egito. O médico pergunta a ela em português: “Vocês gostam mesmo é do bem duro, né?”. E reafirma “e comprido também fica legal, né?”. A vendedora, que não entende a língua, acaba respondendo “sim” em meio a risadas dele e dos amigos.

  • O vídeo viralizou no Egito depois que o ativista Antonio Isuperio publicou uma versão legendada na sua rede social, depois de ser procurado por Fabio Iorio. Os dois passaram a divulgar a publicação entre os seus contatos até chegarem à Speakup, uma rede de feministas egípcias que espalhou o vídeo por lá. No dia 30 de maio, o Ministério do Interior egípcio informou que prendeu um estrangeiro, sem citar nomes, após “assédio a uma mulher, depois de ele publicar um vídeo com imagens do incidente em uma rede social onde os serviços de segurança conseguiram identificar a vítima e o autor”.

    Desde então, o médico estava sob a custódia do Ministério Público do Egito, que o mantinha detido para investigações em um prédio do órgão, impedido de sair do país. Antes de ser detido, ele voltou à loja e gravou um vídeo dizendo que tudo não passava de “uma brincadeira brasileira”. Na quarta-feira, 3, a família divulgou uma carta aberta em árabe e inglês em que pedem desculpas pelo ocorrido, com assinaturas dos pais, irmãos e da esposa do médico. Na sexta-feira, 4, Victor voltou a usar as redes sociais para falar sobre o caso. Ele publicou um vídeo em que aparece ao lado da vendedora pedindo desculpas pelo assédio. “Eu represento as mulheres egípcias e o povo egípcio, somos um povo hospitaleiro e carinhoso que recebe visitante de todas as partes do mundo e é suficiente para mim que ele peça desculpas então vou aceitar suas desculpas”, disse ela.

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