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MBL sobe o tom contra Doria e espalha cartaz ‘João Desempregador’

Resolução que endurece regras para funcionamento de aplicativos de transporte é o ápice de desentendimento que vem se agravando nos últimos meses

Por Guilherme Venaglia Atualizado em 19 jan 2018, 15h17 - Publicado em 19 jan 2018, 10h23

Azedou de vez a relação entre o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), e o Movimento Brasil Livre (MBL). Depois das críticas feitas pelo vereador Fernando Holiday (DEM), um dos coordenadores do movimento, o grupo colou cartazes lambe-lambe por toda a região da Avenida Paulista na noite desta quinta-feira com a mensagem “João Desempregador”, em uma ironia ao título “João Trabalhador” usado com frequência pelo tucano.

O protesto mira a nova resolução da prefeitura de São Paulo, que endureceu as regras para o funcionamento de aplicativos de transporte na cidade, como Uber, 99 e Cabify. Acusando o prefeito de promover o “desemprego” dos mais de 53.000 motoristas das plataformas em São Paulo, os militantes gravaram um vídeo na Paulista tocando em um ponto sensível a Doria: ele estaria tratando a questão pior que o antecessor, o petista Fernando Haddad.

“Prefeito, é uma vergonha o que você está fazendo. São 50.000 pessoas que vão passar fome pela sua culpa. Você está sendo mais autoritário que a gestão do PT. O PT, que você tanto critica… você está sendo mais autoritário que o Fernando Haddad. Por favor, prefeito, vamos ter vergonha na cara”, diz Renato Battista, coordenador do MBL em São Paulo.

Veja o vídeo gravado pelo MBL:

A mudança de comportamento do MBL com Doria, no entanto, não diz respeito apenas à nova resolução. Os membros do movimento, que chegaram a tomar a frente da defesa da administração do prefeito, vêm se afastando do tucano há alguns meses. Entre os fatos que provocaram o rompimento, estão a declaração de Doria de que ele se considera “de centro” – e não de direita – e uma suposta “falta de atitude” em relação ao batismo de um viaduto em homenagem à ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva.

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O grupo do prefeito tentou colocar panos quentes nos últimos dias. O secretário municipal de Transportes, Sérgio Avelleda, visitou o gabinete de Holiday para convencê-lo a reduzir a artilharia contra a resolução. Antes, o próprio Doria telefonou para o vereador para propor uma trégua.

Mas nada disso teve sucesso e o MBL, que o prefeito tanto utilizou para se impulsionar, pode se converter de vez em sua nova dor de cabeça. Procurado por VEJA, o prefeito João Doria não vai se manifestar a respeito dos cartazes e das declarações do movimento.

  • Resolução

    A partir de janeiro de 2018, motoristas passaram a ser proibidos de rodar com carros fabricados há mais de cinco anos (sete, caso o cadastro tenha sido feito antes de julho de 2017) e a emplacar os veículos na cidade de São Paulo.

    Condutores também precisam, agora, fazer um curso a distância de boas práticas ao volante e a identificarem visualmente as empresas para as quais trabalham. Já os aplicativos, por sua vez, passaram a ser obrigados a fiscalizar o veículo e conceder um certificado de inspeção.

    Motoristas e empresas criticam a nova regulamentação, afirmando que ela dificulta a operação na cidade. As principais empresas que oferecem o serviço argumentam que as novas regras burocratizam o sistema sem oferecer garantias de melhoria. Também entendem que os usuários serão prejudicados porque haverá menos motoristas disponíveis.

    A versão atual que entrou em vigor já é mais flexível do que a proposta original. Pelo projeto divulgado inicialmente, a regra de cinco anos valeria para todos os condutores, parte do curso seria presencial e as identificações tinham de ser feitas através de adesivos.

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