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Lula vira Cidadão Honorário de Paris e tem livro indicado ao Prêmio Jabuti

No mesmo dia, petista, preso pela Lava Jato, recebeu a honraria da cidade francesa e viu a obra ‘A Verdade Vencerá’ entre finalistas de premiação literária

Por Da Redação - Atualizado em 3 out 2019, 21h28 - Publicado em 3 out 2019, 21h13

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que luta para deixar a prisão em Curitiba, recebeu duas boas notícias para ele nesta quinta-feira, 3: ganhou o título de Cidadão Honorário do Conselho de Paris – uma espécie de Câmara Municipal – e teve seu livro A Verdade Vencerá indicado entre os finalistas do Prêmio Jabuti, um dos principais do país.

O título de Cidadão Honorário, segundo comunicado emitido pela Prefeitura de Paris, foi um reconhecimento ao trabalho de Lula enquanto presidente (2003-2010) para reduzir as desigualdades sociais e econômicas no país – o documento afirma que o governo petista conseguiu tirar 30 milhões de brasileiros da extrema pobreza. O órgão também afirma que o petista se destacou pela “política voluntariosa de luta contra as discriminações raciais, particularmente presentes no Brasil”.

Já o livro A Verdade Vencerá, publicado pela Editora Boitempo, foi indicado com outros sete títulos, à categoria Melhor Livro Brasileiro Publicado no Exterior. A maior parte da obra é dedicada a uma longa entrevista, feita em três dias na sede do Instituto Lula, pelos jornalistas Juca Kfouri e Maria Inês Nassif, pelo professor de relações internacionais Gilberto Maringoni e pela editora Ivana Jinkings, fundadora e diretora da editora Boitempo.

A publicação traz ainda textos de Eric Nepomuceno, Luis Fernando Verissimo, Luis Felipe Miguel e Rafael Valim. A edição também tem uma cronologia da vida de Lula, organizada pelo jornalista Camilo Vannuchi, texto de capa do historiador Luiz Felipe de Alencastro e dois cadernos com fotos históricas, que vão dos tempos no sindicato à Presidência da República.

De acordo com o regulamento do tema, para a categoria de melhor publicação no exterior serão avaliadas não só as estratégias de promoção, divulgação e distribuição fora do País, mas também a contribuição para a disseminação da cultura e da literatura brasileiras. Os jurados da categoria são a agente literária Alessandra Ruiz, a gerente de publicação Mariana Rolier e a jornalista e editora Marianna Teixeira Soares.

Reprodução/Reprodução

O livro de Lula foi publicado em parceria com a editora El Viejo Topo, que tem sede na Espanha. As obras que concorrem com A Verdade Vencerá são:

  • A Resistência (Julián Fuks) – Companhia das Letras e Charco Press
  • Brasil: Uma Biografia (Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa Murgel Starling) – Companhia das Letras e Penguin Random House UK/Allen Lane
  • Gente de Cor, Cor de Gente (Mauricio Negro) – Editora FTD e Little Island Books Limited
  • Meia-noite e Vinte (Daniel Galera) – Companhia das Letras e Suhrkamp Verlag
  • Meu Pé de Laranja Lima (José Mauro de Vasconcelos) – Melhoramentos e Pushkin Press
  • Simpatia pelo Demônio (Bernardo Carvalho) – Companhia das Letras e Éditions Métailié
  • Terapia Financeira: Realize seus Sonhos com Educação Financeira (Reinaldo Domingos) – Editora DSOP e Porto Editora

Lula está preso desde 7 de abril de 2018 na carceragem da Polícia Federal em Curitiba em razão de condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo relativo a um tríplex no Guarujá, que teria sido fruto de propina paga pela OAS em troca da obtenção de contratos na Petrobras. A pena, que havia sido fixada em 12 anos e um mês de prisão pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), foi reduzida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para oito anos, dez meses e 20 dias.

Como já cumpriu um sexto da pena, Lula tem direito, desde o final de setembro, ao regime semiaberto – no qual o preso deixa a prisão durante o dia para trabalhar e volta à noite -, mas ele recusa o benefício por entender que a sua condenação foi injusta e que ele tem que ser absolvido.

A defesa do petista aposta em recurso que será analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no qual pede a anulação da condenação por suspeição do então juiz Sergio Moro, que, após condená-lo, se tornou ministro da Justiça de Jair Bolsonaro. A principal arma da defesa são os diálogos vazados pelo site The Intercept Brasil que mostram que Moro atuava em conjunto com a acusação, o Ministério Público Federal, o que é proibido na legislação brasileira.

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