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Lula e Bolsonaro e as três semelhanças ao defender seus filhos enrolados

Ambos compararam o talento de Lulinha e Flávio ao de astros do futebol, disseram não ter nada a ver com seus negócios e acusaram os investigadores

Por Da Redação - Atualizado em 20 dez 2019, 14h30 - Publicado em 20 dez 2019, 14h03

As defesas do senador Flávio Bolsonaro (Aliança-RJ) feitas pelo presidente Jair Bolsonaro até agora mostram que há muito em comum com a estratégia de outro pai, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para proteger o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha – os dois estão enrolados em investigações sobre mau uso de dinheiro público.

Nesta sexta-feira, 20, o presidente Bolsonaro comparou seu filho ao jogador Neymar ao tentar justificar o fato de Flávio ter ganhado mais que o seu sócio na loja de chocolates do senador na Barra, alvo de operação de busca e apreensão na quarta-feira 18. “Acusaram ele de estar ganhando mais na casa de chocolate. O que acontece: quem leva mais cliente para lá, ele leva um montão de gente importante, ganha mais. É mesma coisa chegar para o, deixa eu ver, o Neymar e [perguntar] ‘por que está ganhando mais do que outros jogadores?’. Porque ele é o mais importante. Não é comunismo”, afirmou o presidente.

Em 2006, Lula justificou os ganhos extraordinários de Lulinha com a sua empresa, Gamecorp, dizendo que ele tinha talento igual ao de Ronaldo Fenômeno, à época ainda conhecido como Ronaldinho. “Porque deve haver um milhão de pais reclamando: por que meu filho não é o Ronaldinho? Porque não pode todo mundo ser o Ronaldinho”, disse.

Outra coisa em comum entre os dois é dizerem que não podem ser culpados pelos problemas atribuídos aos filhos. “O Brasil é muito maior do que pequenos problemas. Eu falo por mim, os problemas meus podem perguntar que eu respondo. Os outros, não tenho nada a ver com isso”, disse Bolsonaro nesta semana ao ser questionado sobre a investigação envolvendo Flávio. Em 2006, Lula foi na mesma linha. “Que culpa tenho eu se meu filho é o Ronaldinho dos negócios?”, afirmou.

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Também nos dois casos, os pais apontam manipulação e perseguição do Judiciário e/ou do Ministério Público, que estariam interessados em atingir politicamente os presidentes. No caso de Lula, são conhecidas as suas seguidas tentativas de conseguir a suspeição do então juiz Sergio Moro e dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato em Cuiritiba. Já Bolsonaro disse que o juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau, que autorizou as ações de busca e apreensão, tem uma filha que é funcionária fantasma do governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), a quem acusou novamente de estar por trás de uma conspiração para envolver sua família com milicianos e com o assassinato da vereadora Marielle Franco.

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