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Liberação de armas pelo Exército para cidadãos comuns dobra com Bolsonaro

Entre 2018, último ano da gestão Temer, e 2020, o número de registros para caçadores, colecionadores e atiradores subiu 120%; estados do Sul lideram aumento

Por Caíque Alencar 28 set 2021, 11h53

A liberação de registros de armas pelo Exército para pessoas físicas que se apresentam como caçadores, atiradores ou colecionadores, os chamados CACs, cresceram 121% na comparação de 2018, ainda no governo Michel Temer, com 2020, o segundo ano da gestão do presidente Jair Bolsonaro — o número saltou de 47.361 para 104 933 (veja gráfico abaixo). Nos primeiros seis meses de 2021, já foram concedidas 95.926 autorizações, o que mostra que a tendência continua de alta e deve levar a um novo recorde histórico no final do ano.

A disparada nos registros foi puxada principalmente pelos estados do Paraná e Santa Catarina, que compõem a 5ª Região Militar. Juntas, as duas unidades federativas registraram 26 658 novos atiradores – o aumento percentual foi de 266%. Proporcionalmente, no entanto, a região fica em segundo lugar. Quem ocupa a liderança é a 8ª Região Militar, com Maranhão, Pará e Amapá, que teve 583 registros em 2018 e, em 2020,  3 462. O crescimento foi de 494%.

A disparada dos novos registros de CACs é reflexo direto da política armamentista de Bolsonaro. Desde o início de seu governo, o presidente lançou mão de dezenas de decretos, portarias e outros instrumentos legais para que a população ficasse mais armada. O discurso é o de que os brasileiros armados teriam condição de se defender com as próprias mãos e proteger sua liberdade. Não à toa, Bolsonaro disse, com todas as palavras, na reunião ministerial de abril de 2020, cujo vídeo se tornou público, que queria o povo armado. “Por isso eu quero que o povo se arme, a garantia de que não vai aparecer um fdp e impor uma ditadura aqui”, afirmou.

Reportagem de VEJA na edição desta semana mostra que o registro de novas armas para cidadãos comuns junto à Polícia Federal também disparou no país sob Bolsonaro. O aumento se deu no Brasil como um todo, mais foi puxado principalmente por estados como Maranhão, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, regiões onde ocorre a maioria dos conflitos por disputa de terras.

“As armas viraram a segunda paixão nacional depois do futebol”, ironiza o delegado Pedro Ivo, titular da Delegacia de Controle de Armas e Produtos Químicos do Tocantins, que confirma que a maioria dos compradores é de proprietários rurais.

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