Clique e assine a partir de 9,90/mês
Maquiavel Por Coluna A política e seus bastidores. Informações sobre Planalto, Congresso, Justiça e escândalos de corrupção. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Carlos Bolsonaro não quer Renato Feder no Ministério da Educação

Filho Zero Dois do presidente comanda a ala ideológica do governo, e quer ministro que continue com a "guerra cultural", em vez de discurso apaziguador

Por Roberta Paduan - Atualizado em 25 Jun 2020, 11h36 - Publicado em 25 Jun 2020, 10h35

A postura simpática aos jornalistas e o tom apaziguador do secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, um dos cotados para assumir o lugar de Abraham Weintraub, não agradaram a parte mais radical do governo. O vereador licenciado Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), o filho Zero Dois do presidente Jair Bolsonaro, foi um dos mais contrariados com o candidato à pasta da Educação.

Carlos não gostou do “jeitão’ de Feder, que estaria sendo “simpático demais com a imprensa”. O secretário do governador Ratinho Júnior (PSD) seria “ingênuo” e não “compreende a doutrinação” implantada pela esquerda dentro das escolas brasileiras, segundo o filho do presidente.

Carlos Bolsonaro — assim como os ministros anteriores do MEC, Weintraub e Vélez Rodríguez — é seguidor das ideias do escritor Olavo de Carvalho, uma espéce de guru intelectual da ala ideológica do governo, marcada pelo radicalismo de direita.

A reunião em que Bolsonaro entrevistou Feder aconteceu na terça-feira 23. Além do presidente e de Feder, participaram os ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Walter Braga Netto (Casa Civil) e Paulo Vogel, secretário-executivo, que assumiu a pasta interinamente, após a saída de Weintraub.

Continua após a publicidade

Na quarta-feira 24, dia seguinte ao encontro com Bolsonaro, depois de Feder conceder várias entrevistas à imprensa, um dos ministros militares palacianos ligou para dar um recado: ele deveria parar de falar com jornalistas. A postura solícita e amigável do economista de 41 anos teria desagradado Bolsonaro e principalmente Carlos, o pitbull do presidente.

Os ministros militares que participaram da reunião aprovaram Feder. Na avaliação dos generais, o próximo ministro deve ser um técnico, com capacidade de gestão e que não crie problemas para o governo, como seus antecessores olavistas Vélez e Weintraub — o último é investigado em inquérito que apura campanha de difamação contra ministros  Supremo Tribunal Federal.

Feder foi apresentado ao governador Ratinho Júnior pelo senador Ariovisto Guimarães (Podemos-PR), fundador do grupo Positivo. Inicialmente, ele contaria também com apoio do deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), mesma legenda de Carlos Bolsonaro. Pereira, que é presidente nacional do Republicanos, dificilmente ficará contra o filho do presidente. Ou seja, Bolsonaro ainda vai considerar outros nomes e a indicação de Feder subiu no telhado.

Publicidade