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Bolsonarista polêmico é a surpresa na disputa pela prefeitura de Vitória

Lorenzo Pazolini invadiu hospital após pedido de Bolsonaro para mostrar ‘farsa’ da Covid-19 e ajudou Damares a tentar impedir aborto por criança estuprada

Por Da Redação 15 nov 2020, 21h13

O deputado estadual Lorenzo Pazolini (Republicanos), que se apresenta como Delegado Pazolini, é a grande surpresa da eleição para a prefeitura de Vitória – com mais de 82% das urnas apuradas, ele lidera a disputa com 30,54% dos votos válidos, contra 21,76% do ex-prefeito João Coser (PT) e 21,20% do deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania).

No dia 13 de outubro, na primeira pesquisa feita pelo Ibope na capital, ele tinha 10% dos votos contra 22% de Coser e Gandini. Se confirmar a tendência, ele será mais um candidato francamente bolsonarista a ir para o segundo turno em capitais.

Em junho deste ano, após o presidente Jair Bolsonaro pedir aos seus apoiadores que invadissem hospitais para mostrar que era uma “farsa” a existência de grande número de pacientes em UTIs por causa da Covid-19 (“Arranja um jeito de entrar e filmar”, disse o presidente), Pazolini e outros quatro deputados entraram no Hospital Dório Silva, no município de Serra, com esse objetivo.

O governo estadual chamou o episódio de “invasão” e entrou com uma queixa-crime contra os cinco parlamentares. Pazolini disse que estava apenas cumprindo sua atribuição como deputado, de fiscalizar hospitais públicos. A Secretaria da Saúde do estado alegou que, em meio ao auge da pandemia, não era permitido que estranhos entrassem em unidades de saúde onde havia pacientes infectados.

Em agosto, ele atendeu ao apelo de outra bolsonarista, a ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) e fez pressão para que uma menina de dez anos de idade, que havia sido estuprada pelo padrasto, fizesse o aborto legal autorizado pela Justiça.

O delegado Lorenzo Pazolini (Republicanos), ao centro, em post feito pela ministra Damares Alves durante ação para tentar impedir aborto de criança estuprada Twitter/Reprodução

Ele acompanhou dois enviados pela ministra, que, segundo o jornal Folha de S. Paulo, coordenou uma operaçãoo que pretendia transferir a vítima de São Mateus (ES) para Jacareí (SP), onde a menina daria prosseguimento à gravidez, mesmo correndo risco de vida. Pazolini teria ajudado na tentativa de cooptação dos conselheiros tutelares locais que acompanhavam o caso, oferecendo benfeitorias, como veículos e equipamentos, para que eles facilitassem à menina ter o filho. A garota acabou fazendo o aborto em um hospital de Recife.

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