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Bolsa Família e pasta esvaziada: por que Osmar Terra balança no cargo

Ministro, que está no centro de crise envolvendo o programa assistencial e já perdeu uma secretaria importante, pode ser substituído em breve por Bolsonaro

Por Da Redação 12 fev 2020, 10h20

Titular de uma pasta que nasceu com status de superministério, Osmar Terra balança em seu cargo à frente do Ministério da Cidadania. Responsável por gerir os repasses do Bolsa Família, o ministro está no centro de uma crise envolvendo o programa assistencial, mas este é apenas um dos motivos que explicam por que Terra pode ser substituído em breve pelo presidente Jair Bolsonaro.

Como VEJA mostrou com exclusividade, no primeiro ano do governo Bolsonaro, a fila de espera para ter acesso aos repasses mensais do Bolsa Família chegou a cerca de 494 mil famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza, que tem renda mensal de 89 reais a 178 reais por pessoa. O número representa a maior alta de famílias à espera de serem incluídas no programa de transferência de renda desde 2015, quando 1,2 milhão ficaram de fora. A fila havia sido zerada em 2018, ano que terminou com toda a população apta a receber os benefícios atendida.

O aumento da fila é um reflexo da política conduzida pelo ministro em relação ao Bolsa Família. Reportagem de VEJA mostrou que a pasta praticamente paralisou a entrada de novos beneficiários desde junho do ano passado, quando a quantidade de novas famílias aceitas na folha de pagamento despencou de 250.000 para 2.500 – e se manteve até dezembro nesse ritmo.

Além da crise envolvendo o Bolsa Família, Osmar Terra é mal avaliado por Bolsonaro e por aliados do presidente. Isso explica, por exemplo, o esvaziamento de sua pasta, que já perdeu a Secretaria da Cultura para o Ministério do Turismo e pode perder a de Esporte. O Ministério da Cidadania corre o risco, inclusive, de deixar de existir – seria incorporado por Damares Alves, do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos – ou ser entregue à deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF), mulher de Luís Felipe Belmonte, amigo de Bolsonaro e um dos principais financiadores do Aliança pelo Brasil.

No Congresso, a avaliação de parte da base aliada é que Osmar Terra, que também cuida de temas caros ao governo, como a política antidrogas e o projeto Pátria Voluntária, tocado pela primeira-dama Michelle Bolsonaro, é raso tecnicamente e entra em embates ideológicos para agradar ao presidente. No núcleo de Bolsonaro, o ministro é criticado pela ausência de entrega de resultados.

Emedebista, Osmar Terra também é uma espécie de herança do governo do ex-presidente Michel Temer, de quem foi ministro do Desenvolvimento Social.

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