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Blogueiro bolsonarista jogava futebol em time que homenageia Che Guevara

Oswaldo Eustáquio, preso na manhã desta sexta-feira, disputava campeonato do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná pela equipe 'Che Garotos'

Por Alexandre Senechal - Atualizado em 26 jun 2020, 19h58 - Publicado em 26 jun 2020, 19h55

Apoiador do presidente Jair Bolsonaro e autoproclamado “conservador”, o blogueiro Oswaldo Eustáquio nem sempre teve um posicionamento político alinhado ao presidente da República. Jornalista de formação, ele participava de peladas no campeonato do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (Sindijor) em nome de símbolos do socialismo.

Eustáquio defendia as cores de uma equipe denominada Che Garotos, uma explícita homenagem ao guerrilheiro argentino Che Guevara, cujo uniforme tinha como estampa principal a bandeira de Cuba. Curiosidades futebolísticas de lado, o hoje crítico dos grandes veículos de comunicação foi diretor do grupo sindical no Estado e fez parte de um ato, em 2015, para defender uma jornalista da RPC, emissora afiliada à Rede Globo no Paraná, contra os ataques feitos por grupos políticos que ela denunciava.

Eustáquio acabou afastado de suas funções no ano seguinte, após produzir um texto homofóbico e ser questionado por organizações que defendem os direitos de grupos LGBTQ+. Membros do sindicato contam que ele passou a se envolver com o movimento bolsonarista depois que a ministra Damares Alves indicou sua esposa para a secretaria nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, parte integrante do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH).

Na manhã desta sexta-feira, 26, a Polícia Federal prendeu o blogueiro no âmbito das investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) que apuram um esquema de financiamento de atos antidemocráticos no país. A suspeita da PF é que Eustáquio estaria tentando fugir do Brasil para o Paraguai – ele chegou nesta semana a ir ao país vizinho, “terra da sua mãe”, como ele mesmo publicou em seu perfil no Twitter.

A prisão temporária, válida por cinco dias, foi realizada em um hotel em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. O mandado foi expedido pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, que é o relator do inquérito. O blogueiro é ligado à líder do acampamento autointitulado “300 do Brasil” Sara Winter, que ficou detida por dez dias e agora está em prisão domiciliar.

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