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As diferenças entre Bolsonaro e Boris Johnson no enfrentamento da pandemia

Enquanto o brasileiro foi a apenas um hospital (vazio) em Goiás, o britânico visitou mais de 20 hospitais, centros de vacinação e laboratórios de pesquisa

Por Camila Nascimento Atualizado em 2 mar 2021, 15h23 - Publicado em 2 mar 2021, 15h22

O que há em comum e o que separa Jair Bolsonaro de Boris Jonhson?

Em comum, há o fato de o primeiro-ministro do Reino Unido e o presidente do Brasil terem adotado uma postura um tanto quanto negacionista em relação à pandemia do novo coronavírus, no início de 2020. Mas o britânico mudou radicalmente de comportamento depois que foi infectado pela Covid-19 no final de março daquele ano e ficou seis dias — três deles na UTI — do hospital St. Thomas, em Londres.

Desde então, ele adotou uma postura firme de defesa do isolamento social, da vacinação e do uso de máscaras como forma de enfrentar a doença, além de realizar entrevistas coletivas com uma certa regularidade para falar da pandemia e criticar os negacionistas e as fake news sobre o vírus.

Já o brasileiro, que também contraiu a Covid-19 em julho de 2020, mas não chegou a ser hospitalizado, continua o mesmo: apesar do avanço da pandemia, segue minimizando a doença, faz pouco caso da vacina e é visto quase sempre sem máscara mesmo em meio a aglomerações que ele provoca com frequência.

Mas há um outro indicador que mostra o tamanho da diferença entre ambos. Desde o início da pandemia, há pouco mais de um ano, Bolsonaro visitou apenas um estabelecimento de saúde — um hospital de campanha que inaugurou em Águas Lindas de Goiás (GO) em julho de 2020, ao lado do governador Ronaldo Caiado (DEM), seu aliado, quando o local ainda não havia recebido pacientes.

Bolsonaro em Águas Lindas de Goiás (FO)
O presidente Jair Bolsonaro acompanhado do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), visita hospital de campanha em Águas Lindas de Goiás (GO) Alan Santos/Presidência da República/Divulgação

Desde então, não houve mais nenhum evento em sua agenda relacionado diretamente à pandemia — apenas cerimônias de inaugurações de obras, de lançamento de projetos variados e de solenidades em instituições militares. Nunca foi a locais de produção de vacinas, nem mesmo à Fiocruz, órgão ligado ao governo federal que irá produzir o imunizante da Astrazeneca/Oxford. Nunca esteve também em um local de vacinação nem fez campanha alguma em defesa da imunização. Ele fez ainda uma visita técnica, fora da agenda, ao Hospital das Forças Armadas, onde conversou com profissionais da unidade, mas a visita não estava ligada diretamente à Covid-19.

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  • Já Boris Jonhson manteve uma agenda intensa relacionada à pandemia, com pelo menos 20 visitas a hospitais, centros de vacinação e fabricantes de insumos e de imunizantes. Entre outros locais, o premiê foi ao Laboratório do Serviço Nacional de Saúde Pública, ao laboratório Mologic, que desenvolve testes para o vírus, ao Instituto Jenner, que pesquisa o coronavírus, às farmacêuticas Wockhardt e Oxford (que produz o imunizante da AstraZeneca) e a vários hospitais, como o Royal Free Hospital, o Tollgate Medical Centre, o Chase Farm Hospital (todos em Londres) — neste, acompanhou a vacinação da sua irmã mais nova, Susan Cole — e o Greater Glasgow and Clyde, na Escócia, que agora também é um centro de imunização.

    Boris Johnson
    O primeiro-ministro Boris Johnson visita um centro de vacinação em Cwmbran, no País de Gales Simon Dawson/Nº 10 Downing Street/Divulgação

    Outra diferença significativa entre eles é que o britânico não defende o que o presidente brasileiro chama de “tratamento precoce”, que consiste no uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19, como a hidroxicloroquina, a ivermectina e a nitazoxanida (o vermífugo Annita). Em suas coletivas, Boris Johnson sempre faz propaganda ostensiva da vacinação.  

    O Reino Unido — que está no seu terceiro lockdown, previsto para durar até 8 de março — acumula 122.953 mortes pela doença e 4.182.009 casos. Já o Brasil tem 255.720 vítimas do vírus e 10.587.001 contaminados no total desde o início da pandemia.

     

     

     

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