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Aras é contra pedido de Joice para apreender celular de Carla Zambelli

Ao STF, procurador-geral da República disse que a deputada não é 'parte legítima' para este tipo de medida, que cabe somente à PGR

Por João Pedroso de Campos - 22 jul 2020, 20h52

O procurador-geral da República, Augusto Aras, se manifestou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira, 22, contra a apreensão de celulares da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), pedida pela também deputada Joice Hasselmann (PSL-SP).

Depois de declarações públicas de Carla antecipando que haveria operações da Polícia Federal contra governadores no âmbito de investigações de corrupção no combate à pandemia, que depois realmente se concretizaram, Joice solicitou ao STF que os telefones da ex-aliada fossem apreendidos para que se descobrisse se ela mantinha conversas com autoridades da PF. A deputada também alegava que, em uma ligação a uma assessora sua, gravada por ela, Carla Zambelli indicou que a PF poderia deflagrar uma ação contra Joice Hasselmann. Carla sugeriu à assessora que “ficaria melhor” se ela se demitisse e “contribuísse”.

Para Aras, no entanto, Joice é “parte ilegítima” para fazer este tipo de pedido. Isso porque, em se tratando de investigação contra autoridades com foro privilegiado no STF, como Carla Zambelli, cabe apenas ao procurador-geral da República solicitar esse tipo de medida em um inquérito devidamente aberto na Corte. Ele pediu ao ministro Luís Roberto Barroso, relator da ação no Supremo, que extinga a petição de Joice Hasselmann.

Joice e Carla foram aliadas próximas em meio à campanha de 2018, mas passaram a se estranhar no início de 2019. Com o racha do PSL e a saída do presidente Jair Bolsonaro do partido, a inimizade se tornou ainda mais notória. Carla Zambelli é uma das principais interlocutoras do presidente e cresceu em influência no governo, enquanto Joice Hasselmann passou a ser vista como inimiga por Bolsonaro e seus filhos, que constantemente insultam a parlamentar nas redes sociais.

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