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Aliados tentam isentar Bolsonaro e culpar governadores por inflação

Nas redes sociais, filhos e apoiadores mais fiéis replicam discurso do presidente de que alta dos preços é consequência das políticas de isolamento social

Por Camila Nascimento Atualizado em 12 out 2021, 14h39 - Publicado em 12 out 2021, 14h33

Os aliados mais entusiastas do presidente Jair Bolsonaro vêm tentando, a todo custo, jogar a alta da inflação no colo dos governadores — um dos vilões preferidos do bolsonarismo –, que adotaram medidas restritivas durante a pandemia. Esse discurso já vem sendo usado por Bolsonaro há algum tempo toda vez que é cobrado sobre, principalmente, o aumento dos preços dos alimentos e do combustível.

No Twitter, o filho Zero Três do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), disse que “os mesmos que te mandaram para casa — e curtiram a vida normalmente — agora responsabilizam pela inflação Jair Bolsonaro, que foi o único com coragem e serenidade para driblar o pânico e preocupar-se com a economia”. O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos- RJ), filho Zero Dois, também faz postagens que associam as medidas restritivas implementadas para combater a Covid-19 à atual crise econômica.

A deputada Carla Zambelli (PSL-SP), outra bolsonarista que não se cansa de tentar isentar o presidente de culpa em qualquer coisa, usou um vídeo de Bolsonaro, em que ele atribui a queda na economia ao isolamento social, para defender o mesmo argumento. “Parte da imprensa insiste em tentar colocar a inflação na conta do Jair Bolsonaro. Parece que ainda não entenderam que o povo tem memória! Sabem muito bem que a alta da inflação advém da política irresponsável de lockdowns de prefeitos e governadores”, escreveu. 

Na mesma linha, o empresário aliado do presidente, Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan, ao criticar a inflação, culpou exclusivamente o que chamou de política do “fica em casa, a economia a gente vê depois”.

O deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO) disse que Bolsonaro, que foi contra as ações de isolamento para conter o avanço da pandemia desde o início, alertou sobre o problema e que a sua postura sempre foi calcada “sobre as duas vertentes: sanitária e econômica”. “Governadores e prefeitos irresponsáveis adotaram medidas desproporcionais e prejudicaram milhões de brasileiros”, continuou. 

Os argumentos bolsonaristas não encontram eco na realidade. O aumento da inflação é consequência de uma série de variáveis, que incluem desde a alta do dólar — que influencia, por exemplo, o preço dos combustíveis — até problemas internacionais decorrentes de interrupções na cadeia de suprimentos durante a pandemia, que afetaram a fabricação e o escoamento de matérias-primas e produtos. Também contam fatores como a alta da energia elétrica em decorrência da crise hídrica e a quebra da produção agrícola de alguns produtos.

As alíquotas dos impostos estaduais, que os bolsonaristas gostam de apontar como responsáveis pela alta do preço dos combustíveis, são as mesmas há anos na maioria dos estados.

 

 

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