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A ironia involuntária de Bia Kicis ao tentar defender Bolsonaro

Ligada com frequência à disseminação de fake news e desinformação, deputada defende ‘fatos’ e diz que ‘falácias’ são usadas para derrubar o presidente

Por Da Redação Atualizado em 7 jul 2021, 16h12 - Publicado em 7 jul 2021, 15h56

A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) tentou nesta quarta-feira, 7, sair em defesa do presidente Jair Bolsonaro, de quem é aliada incondicional, mas a tentativa soou contraditória considerando o perfil da parlamentar. “Contra fatos não há argumentos. Mas quem liga para os fatos? Nos tempos atuais o que se vê é que contra a narrativa, as fake news e as falácias dos que querem derrubar a qualquer custo o presidente Jair Bolsonaro. Fatos não importam”, escreveu no Twitter.

Tudo bem que contra fatos não há argumentos, mas o problema é a autora da mensagem, que é constantemente associada à divulgação de fake news, inclusive tendo sido alvo de um inquérito sobre o assunto no Supremo Tribunal Federal.

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Exemplos não faltam. Um levantamento feito pela agência de checagem de notícias Aos Fatos no final de 2020, por exemplo, a colocou como a quarta parlamentar que mais divulgava desinformação sobre a pandemia da Covid-19 – atrás apenas dos colegas Osmar Terra (MDB-RS), Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Carla Zambelli (PSL-SP).

Em março deste ano, ela foi condenada pela Justiça do Rio de Janeiro a pagar uma indenização de 41,8 mil reais ao ex-deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) por divulgação de fake news: no caso, tê-lo associado à tentativa de assassinato de Bolsonaro por Adélio Bispo durante a eleição de 2018.

Em maio deste ano, ela compartilhou um vídeo no qual uma mulher que aparece empunhando um fuzil e dançando funk era apresentada como sendo a mãe de um dos suspeitos mortos em operação policial no Jacarezinho, o que não era verdade.

Enquanto produz e compartilha fake news, Bia Kicis, por outro lado, é segundo a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), uma das parlamentares que mais movem processos contra a imprensa profissional.

Politicamente, Bia Kicis se projetou defendendo pautas ideológicas como a “escola sem partido”, que denuncia uma suposta doutrinação ideológica comunista nas salas de aula, e agora tem como principal bandeira a defesa do voto impresso – que, claro, vem acompanhada de fake news sobre as urnas eletrônicas.

Ou seja, Bia Kicis tem todo o direito de defender o presidente, mas tem poucos argumentos para posar como defensora de fatos e contra fake news.

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