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A intimidade com escândalos da nova base de Bolsonaro

Adepto do governismo desde sua fundação, Progressistas esteve no centro dos principais esquemas de corrupção que chocaram o país

Por Leonardo Lellis Atualizado em 22 jul 2021, 15h50 - Publicado em 22 jul 2021, 15h36

Ao levar o Progressistas para dentro do Palácio do Planalto com a confirmação do senador Ciro Nogueira para a Casa Civil, Jair Bolsonaro (sem partido) adiciona uma engrenagem que tem tudo para tumultuar ainda mais o funcionamento do governo federal, naturalmente pródigo em operar na produção de crises. Ex-partido do presidente da República em sua longa carreira como deputado federal do baixo clero, e com quem agora flerta para abrigá-lo em 2022, a legenda, quando ainda se chamava PP, conquistou o nada honroso posto de campeã de denunciados na Operação Lava-Jato e é reincidente no envolvimento dos mais ruidosos escândalos de corrupção do país.

As origens do partido comandado por Nogueira remontam à Arena (Aliança Renovadora Nacional), sustentáculo da Ditadura Militar. Em 1995, nasceu o Partido Progressista Brasileiro (PPB), que adotou este nome até 2003, quando virou Partido Progressista, nome que manteve até 2017, quando adotou a atual nomenclatura: Progressistas. Entre seus mais ilustres políticos está o sempre enrolado Paulo Maluf, que liderou sua criação.

Foi da gestão de Maluf à frente da Prefeitura de São Paulo, e de seu sucessor, Celso Pitta, ambos do então PPB, que saíram suspeitas que deflagraram o escândalo dos precatórios, que desvendou um esquema fraudulento de negociação de títulos de dívida municipais com o objetivo de arrecadar dinheiro ilegalmente. O caso chegou a render a condenação de ambos.

Desde sua fundação, o partido compôs a base de apoio aos governos de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e, agora, Jair Bolsonaro. No escândalo do Mensalão, já com o nome de PP, o partido manteve-se no centro das suspeitas que abalaram o governo petista. 

No esquema de compras de apoio parlamentar, o partido teve dois parlamentares condenados: Pedro Henry (MT) e Pedro Corrêa (PE), que ocupavam cargos de liderança na bancada do partido na Câmara dos Deputados — ambos também habitaram o noticiário da Lava-Jato.

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Paralelamente às acusações que pesavam sobre o governo Lula, o partido também operou seu escândalo particular: eleito presidente da Câmara, o pepista Severino Cavalcanti renunciou para se livrar da cassação após a divulgação de suspeitas de cobrança de propina para permitir o funcionamento de um restaurante na Casa, em um esquema apelidado de “mensalinho”, antes de assumir o posto. A morte do político, em 2020, levou à extinção do processo — que jamais foi julgado. 

Já no governo de Dilma Rousseff, a divulgação da lista de políticos investigados por causa de desvios na Petrobras, o PP foi o partido mais atingido: 32 nomes da sigla, sendo vinte com mandato, passaram a ser investigados na operação Lava-Jato. 

A legenda, aliás, está envolvida nas suspeitas reveladas pela operação desde sua gênese: uma investigação de lavagem de dinheiro contra o ex-deputado federal José Janene, líder do PP no Paraná, levou aos doleiros Alberto Youssef e Carlos Habib Chater — dono do posto de combustível que rendeu o nome da operação Lava-Jato. A Polícia Federal seguiu o rastro do dinheiro e chegou até Paulo Roberto Costa, que havia recebido um Land Rover de Youssef.

Indicado pelo PP para a diretoria de abastecimento da Petrobras, Costa confessou sua participação no esquema para desviar dinheiro da estatal e entregou o nome de outros envolvidos. Segundo as investigações, Costa intermediava os pagamentos feitos a políticos da sigla, já que o cargo lhe garantia poder sobre altas montas de dinheiro.

Entre os envolvidos na Lava-Jato está o nome de Ciro Nogueira, a quem Bolsonaro abriu as portas da Casa Civil de olho nas eleições de 2022 e apoio do Centrão. Apoiador entusiasmado de Lula e articulador do apoio da legenda à eleição de Dilma Rousseff em 2014, o senador piauiense é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal por supostas irregularidades apuradas na operação. 

“As primeiras denúncias apresentadas formalmente contra o Senador Ciro Nogueira perante o Supremo foram completamente rechaçadas pela Corte, que tem se posicionado firmemente contra os excessos nas delações e contra essa criminalização da política. Claro que ninguém está acima da lei, e todos podem e devem ser investigados. Mas não há, em nenhum dos inquéritos em trâmite no Supremo Tribunal Federal, qualquer coisa que preocupe a defesa”, diz o advogado Carlos Alberto de Almeida Castro, o Kakay, que defende o senador.

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