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Maílson da Nóbrega Por Coluna Blog do economista Maílson da Nóbrega: política, economia e história

Coronovírus: governo adota ações emergenciais. Isso é bom

Por dinheiro nas mãos das pessoas e reforçar o caixa das empresas, particularmente as de menor porte, são ações recomendáveis neste momento

Por Maílson da Nóbrega - 13 mar 2020, 10h09

Sem abandonar o discurso monótono da necessidade das reformas, o governo resolveu começar a agir com medidas emergenciais para mitigar os efeitos negativos da Covid-19. É uma mudança corretíssima. Focalizar exclusivamente nas reformas, como vinha fazendo, transmitia uma sensação de insensibilidade em relação ao impacto da crise nas pessoas e nas empresas, particularmente as de menor porte.

As reformas continuam fundamentais para afastar de vez os riscos no campo fiscal e para criar as condições necessárias ao aumento da produtividade e, assim, do potencial de crescimento da economia. Mas elas apenas produzem efeitos nos próximos anos, enquanto uma crise dessa magnitude demanda ações de curto prazo.

O desemprego pode voltar a crescer e muitas empresas tenderão a ser financeiramente asfixiadas diante da queda da demanda por seus bens e serviços. A redução de vendas pressiona o caixa e aumenta o risco de demissão de empregados, atraso no pagamento de compromissos e impossibilidade de recolher impostos. Tudo isso se propagaria pelas cadeias produtivas, gerando uma espiral que resultaria em recessão e mais desemprego.

Em momentos como esse, o Estado é insubstituível no papel de conter os danos da crise e evitar o seu agravamento. Lições da história são fundamentais nessa hora. Em situações semelhantes do passado, a demora em agir contribuiu para tornar catastrófica uma situação que era apenas grave.

Os exemplos atuais podem ser vistos mundo afora. Governos isentaram empresas e trabalhadores de contribuições previdenciárias, adiaram o pagamento de tributos, coordenaram uma moratória temporária do pagamento de empréstimos bancários. Os bancos centrais reduziram substancialmente a taxa básica e juros, e ampliaram a liquidez do sistema econômico, o que contribuirá para conter o pânico no mercado acionário e para reduzir a volatilidade nos mercados de câmbio e de ativos financeiros.

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Alguns países criaram subsídios salariais com o objetivo de manter empregos no setor privado.

Ainda que de forma tímida, a reação do governo brasileiro é bem-vinda. A medida mais relevante foi antecipar o pagamento do 13º salário de aposentados, o que injetará R$ 23 bilhões na economia. Busca-se ainda facilitar a realização de empréstimos consignados.

Ao mesmo tempo, de forma igualmente adequada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, criou um grupo para monitorar permanente a situação e sugerir novas medidas.

Nessas estarão, provavelmente, a redução da taxa Selic pelo Banco Central.

O estado de emergência deste momento sugere que o governo se concentre em medidas que impactem positivamente o bolso das pessoas e forneçam reforço de caixa das empresas, mediante operações de capital de giro. O governo pode ainda lançar mão de sua liderança no sentido de induzir o sistema bancário a afrouxar o cumprimento de obrigações de empresa durante a crise, que será temporária.

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