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Como o Brasil virou uma das economias mais fechadas do mundo

O protecionismo nacional vem de longe, mas piorou no governo Geisel e retornou com força nas administrações do PT. Chegou a hora de mudar

A ideia de que um país deve proteger a indústria nascente existe há pelo menos 230 anos. Ela foi a base inicial da indústria manufatureira americana, decorrente da ação do primeiro secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Alexander Hamilton.

A agricultura americana resistiu, temendo o aumento dos preços dos insumos, mas, depois de batalhas no Congresso, o plano foi aprovado. É o que se vê da biografia do secretário do Tesouro, escrita por Ron Chernow (Alexander Hamilton, Penguin Books, 2004). Hamilton percebia que a proteção à indústria penalizaria outros setores e por isso dizia que a medida deveria ser temporária e submetida oportunamente a avaliações.

No Brasil, as primeiras ações protecionistas em favor da indústria surgiram no início do século XX, prosseguiram no período Vargas e se ampliaram no governo de Juscelino Kubitschek. Novos lances ocorreram no governo Geisel.

As duas crises do petróleo (1973 e 1979) justificaram medidas para enfrentar o déficit no balanço de pagamentos. O arsenal incluiu elevação das tarifas de importação (algumas para mais de 200%), restrições às importações e proibição para importar de certos itens. Nos anos 1980, com a crise da dívida externa, vieram novas medidas contra as importações. No fim desse ciclo, o Brasil tornou-se uma das mais fechadas economias do mundo.

Disso tudo apareceram inúmeros focos de ineficiência. O sistema tarifário tornou-se disfuncional. Surgiram altos custos ao longo da cadeia produtiva. Caiu a competividade dos produtos brasileiros. A produtividade começou a reduzir-se.

Ainda na década de 80, vários estudos mostraram que o excessivo protecionismo prejudicava o esforço de elevar as exportações para reduzir o déficit externo. A elevação do custo de máquinas, equipamentos e bens intermediários reduzia a capacidade da indústria de competir no mercado exterior. Era preciso, pois, abrir a economia.

As primeiras medidas foram adotadas no governo Sarney, centradas em ampla revisão tarifária e na liberação da proibição de importações. O processo foi intensificado no Governo Collor e continuou no de Itamar Franco.

O retrocesso começou no primeiro mandato de FHC, em resposta aos efeitos, aqui, da crise financeira do México (1994). Na administração do PT, particularmente após a saída do ministro da Fazenda Antonio Palocci (2005), intensificou-se o caminho de volta ao protecionismo excessivo, o que piorou muito no governo Dilma. Medidas como as de proteção à indústria automobilística, de apoio a uma indústria naval pouco competitiva e regras de conteúdo mínimo levaram o Brasil de volta às políticas da era Geisel.

Chegou a hora de mudar. Em próximo post, mostrarei por que o futuro do país depende, entre outros fatores, de forte e corajosa abertura da economia.

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  1. Democrata Cristão (Liberdade de Expressão é meu direito CF 88 art 5 e art 220)

    Só que abrir o mercado, e sou a favor, sem Reforma Tributária é suicídio. Collor liberou as importações mas não reduziu a carga tributária da produção, o resultado foi que quase quebrou a indústria nacional.

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  2. Democrata Cristão (Liberdade de Expressão é meu direito CF 88 art 5 e art 220)

    Sei de japones que reside no Brasil e que quando precisa de roupa volta ao Japão para visitar a família e comprar as roupas, lá o produto é mais barato porque a carga tributária é menor.

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  3. Marcos Henrique de Pascoa

    MAS MESMO ASSIM TEMOS SUPERAVIT NA BALANÇA COMERCIAL COM A CHINA

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  4. Silas Costa Ferreira Jr.

    Prezado Mailson, se puder fale também do superestimado peso das multinacionais brasileiras e em geral latino-americanas. No geral, a participação delas na economia (produção, geração de tecnologia, etc.) é muito baixa.

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