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Maílson da Nóbrega Por Coluna Blog do economista Maílson da Nóbrega: política, economia e história

A visão errada de Bolsonaro sobre sociedade civil

Em seu esforço de mostrar a importância dos militares em seu governo, o presidente escorrega na definição do conceito, que não é relacionado a fardas

Por Maílson da Nóbrega - Atualizado em 10 Jun 2020, 14h29 - Publicado em 9 Jun 2020, 17h25

Em declaração dada na segunda-feira, 8, o presidente Jair Bolsonaro criticou o uso da expressão “sociedade civil”. Incomodado, ele disse que prefere usar simplesmente “sociedade”, pois “sociedade civil” transmitiria a ideia de exclusão militares. Na verdade, a expressão “sociedade civil” não representa contraponto nem oposição a grupos militares. Ela exprime o conjunto de organizações e instituições cívicas de um país. São organizadas de forma voluntária, ao contrário de estruturas que compõem o Estado ou são por ele apoiadas.

Na definição da London School of Economics, a expressão “sociedade civil refere-se à arena de ações coletivas voluntárias em torno de interesses, propósitos e valores. Na teoria, as suas formas institucionais são distintas daquelas do Estado, família e mercado, embora, na prática, as fronteiras entre Estado, sociedade civil, família e mercado sejam frequentemente complexos, indistintos e negociados.”

Em resumo, sociedade civil se define e se organiza de maneira oposta ao funcionamento do Estado. A ela podem pertencer civis (ou “paisanos”, como se diz no jargão dos quarteis) e militares. Curiosamente, o ex-presidente Lula fez a mesma confusão de Bolsonaro, imaginando que o conceito de “sociedade civil” excluía os “fardados”.

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