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Não é mito: fumante passivo está sujeito, sim, a cânceres, derrames e alergias

  O alemão Schönherr, em 1928, foi o primeiro cientista a associar o cigarro ao grande aumento do número de casos de câncer de pulmão. Vários outros pesquisadores alemães do período nazista confirmaram as observações de Schönherr, mas naquele tempo essa evidência foi praticamente ignorada no resto da Europa e nos Estados Unidos. Somente no […]

Por Sergio Simon Atualizado em 30 jul 2020, 21h51 - Publicado em 14 set 2016, 19h31

 

tabagismo

O alemão Schönherr, em 1928, foi o primeiro cientista a associar o cigarro ao grande aumento do número de casos de câncer de pulmão. Vários outros pesquisadores alemães do período nazista confirmaram as observações de Schönherr, mas naquele tempo essa evidência foi praticamente ignorada no resto da Europa e nos Estados Unidos. Somente no pós-guerra é que os estudos epidemiológicos americanos e ingleses confirmaram, sem sombra de dúvida, que o cigarro era a causa inconteste do câncer de pulmão, bem como de uma grande variedade de outras doenças. O mesmo Schönherr já chamava a atenção para casos de câncer de pulmão em mulheres não fumantes casadas com homens fumantes, sugerindo, pela primeira vez, que o fumante chamado de “passivo” também poderia ser vítima dos malefícios do tabaco.

Os danos à saúde causados no fumante passivo foram mais difíceis de comprovar, mas hoje a medicina tem ampla evidência de que isso de fato ocorre.

O câncer de pulmão é a doença que logo nos vem à mente quando falamos de cigarro. Mas vários outros tipos de câncer, além de danos pulmonares e cardiovasculares importantes, são ligados ao tabaco. Alguns exemplos: câncer de cabeça e pescoço, de esôfago, de pâncreas, de colo de útero e de bexiga.

Além disso, os efeitos cardiovasculares sobre as coronárias e o sistema circulatório em geral, incluindo aí o infarto do miocárdio, a trombose venosa e os acidentes vasculares cerebrais, são também muito bem documentados. No pulmão, o fumo causa danos consideráveis, levando ao enfisema e à bronquite crônica, que, por sua vez, podem levar à insuficiência respiratória. E até a tuberculose é mais frequente entre fumantes, provavelmente devido à diminuição da defesa pulmonar contra infecções causada pela fumaça do cigarro.

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Mas será que, pelo fato de você viver com alguém que fuma em casa e no carro ao seu lado, ou por trabalhar por vários anos em ambientes onde o fumo é tolerado, você também estaria exposto a esses riscos? Infelizmente, a resposta é um sonoro sim!

Está bem documentado o aumento do risco de câncer de pulmão, de colo de útero e de câncer de pâncreas entre os fumantes passivos. Outras doenças, como derrame cerebral, colite ulcerativa, alergia alimentar, asma e pneumonia também são mais comuns entre os fumantes passivos, algumas de maneira muito acentuada. O risco de câncer de colo de útero (uma doença associada ao vírus HPV), por exemplo, é 73% maior em mulheres fumantes passivas do que entre as mulheres não expostas ao fumo!

Mas talvez a face mais cruel do fumo passivo recaia sobre as crianças. Aquelas cujos pais fumam em casa têm grande aumento do risco de ter asma, alergias alimentares, rinite alérgica, infecções respiratórias de repetição e até a temida meningite meningocócica (crianças fumantes passivas têm mais que o dobro de risco de contrair a doença do que crianças cujos pais não fumam!). Os riscos cardiovasculares no longo prazo sobre essas crianças não são conhecidos, mas muitos especialistas suspeitam que eles sejam muito importantes.

Portanto, se você ou seus filhos são fumantes passivos, é hora de tomar uma atitude. Mudança de hábitos em casa podem salvaguardar os cônjuges e os filhos de fumantes de todos estes danos. Fumar somente ao ar livre, num terraço arejado ou apenas quando estiver fora de casa, são medidas saudáveis para toda a família.

Felizmente, nos últimos anos, o hábito de fumar tem sido cerceado em lugares públicos. Restaurantes, escritórios, shopping centers, aviões e todos os edifícios públicos são locais onde o fumo não é mais permitido. Com isso, espera-se que o risco de várias doenças nos fumantes passivos diminua de maneira significativa nos próximos anos. Resta aos adultos fumantes fazer a lição de casa: restringir ao máximo a exposição de seus familiares aos efeitos maléficos do seu vício.

sergio-simon

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