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Evitar 30% das mortes por parada cardíaca está em nossas mãos

Evitar uma parada respiratória não está só nas mãos de médicos e bombeiros. Há manobras passíveis de serem aprendidas por qualquer adulto

Por João Fernando Monteiro Ferreira Atualizado em 3 nov 2020, 12h41 - Publicado em 3 nov 2020, 12h11

É fácil de entender: após a parada cardiorrespiratória, sem oxigenação, as células do cérebro morrem em 10 minutos e lesões irreversíveis começam a ocorrer, inclusive a morte. São 720 pessoas indo a óbito diariamente no Brasil por conta de parada cardíaca, o que significa uma morte a cada um minuto e meio ou 259 mil ao ano.

Por mais que esses números impactem, essa ainda não é a pior notícia. Segundo dados da SOCESP (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo), evitar ao menos 30% destas mortes está, literalmente, ao alcance das mãos. E não só de médicos, pronto-socorristas e bombeiros. São manobras passíveis de serem aprendidas por qualquer adulto disposto a um gesto de solidariedade, que pode salvar uma vida.

Trata-se da ressuscitação cardiopulmonar (RCP), conjunto de medidas emergenciais, que combina técnicas de compressões torácicas, visando bombear o coração de quem está enfrentando um quadro de falência cardiovascular ou respiratória. As ações de RCP melhoram o fluxo sanguíneo, fornecendo oxigênio para o cérebro até que uma equipe médica possa entrar em cena.

O que é a parada cardiorrespiratória?

Não existe apenas um fator que leve à parada cardiorrespiratória, mas vários: uma asfixia, intoxicação, traumatismo, eletrocussão, afogamento, estado de choque, sufocamento e doenças cardíacas e pulmonares que saiam do controle. Estas últimas as mais comuns.

Perda de consciência, ausência dos movimentos de respiração ou de pulso, pupilas dilatadas e sem reação à luz, pele, lóbulo da orelha, língua e base das unhas arroxeadas são algumas das manifestações da parada cardiorrespiratória. Essas evidências devem ser observadas para que a sessão de RCP seja iniciada.

Exército do bem

Para formar um exército do bem é preciso, principalmente, treinar médicos de diferentes especialidades e profissionais de saúde para que estejam aptos a colocar em prática a massagem cardíaca com efetividade. Ciente de seu papel, a SOCESP mantém um Centro de Treinamento para este fim. Trata-se de um dos mais estruturados do país, com manequins que simulam sinais vitais. Os cursos de RCP da SOCESP tem o aval da American Heart Association. Neste mês iniciamos uma campanha sobre o assunto para que a população saiba que salvar uma vida é possível até para uma criança ou um adolescente, desde que treinados.

Mas, além do suporte ao médico e de profissionais de saúde, há necessidade de treinamento da população em geral, daqueles dispostos a uma ação solidária para contribuir com a sobrevivência de outro ser humano.

Existem muitos treinamentos para leigos que desejem aprender procedimentos de RCP, incluindo alguns gratuitos. É importante que os interessados busquem referências sobre esses cursos para aprenderem o jeito correto de agir tanto no tocante às manobras de ressuscitação como para o uso do Desfibrilador Externo Automatizado (DEA).

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O equipamento eletrônico DEA tem por função reverter um quadro de fibrilação auricular ou ventricular, mediante a aplicação de descargas elétricas graduadas no paciente, tornando a ressuscitação mais rápida, prática e eficiente. Estes aparelhos são construídos para serem de uso intuitivo e simples. Contam com mensagens de texto e voz que dão comandos claros sobre como proceder.
Para cumprirem sua função, os DEAs devem estar presentes em locais públicos, como shoppings, clube, aeroportos, condomínios, estádios de futebol, entre outros com grande circulação de pessoas.

Todas essas frentes – médicos habilitados, maior número de pessoas treinadas para RCP e aparatos estrategicamente alocados para servir em momentos de emergência – vão contribuir para termos respostas mais ágeis e menos incidências de sequelas ou mortes por paradas cardiorrespiratórias. Com esses protocolos sendo cumpridos, a tendência é também que o número de hospitalizados diminua e só ficarão internos aqueles que realmente precisam de monitoramento.

Conhecendo a técnica

Em primeiro lugar e antes de qualquer manobra, o voluntário apto a executar o procedimento deve verificar o estado de consciência da vítima, perguntando como ajudar e, caso o estado não permita conversação, verificar sinais vitais: respiração e pulso/batimentos cardíacos. Se não houver esses sinais, a vítima deve ser deitada de barriga para cima e começam as manobras:

Coloque as duas mãos com dedos cruzados sobre o centro do tórax do indivíduo e estique seus braços.

Comprima o tórax da vítima com o peso do seu corpo, sempre de maneira rápida e profunda. Devem ser realizadas entre 80 e 100 compressões por minuto.

O procedimento não deve ser interrompido.

Não há necessidade de fazer respiração boca-a-boca

Manter um time de médicos e de cidadãos preparados para atuar em emergências cardiorrespiratórias é o objetivo de uma entidade como a nossa. A compreensão de que, apesar de vivermos em um mundo com valores cada vez mais individuais, somos seres sociais e que precisamos contar uns com os outros deve ser um ideal a ser perseguido.

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