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Entenda o sarampo

O número de casos da doença está aumentando no Brasil pela falta de vacinação

Por David Uip - Atualizado em 14 out 2019, 11h04 - Publicado em 10 out 2019, 13h04

O sarampo é uma doença muito contagiosa que ocorre em todo o mundo. As principais características clínicas são: febre alta, mal estar geral, tosse, coriza e conjuntivite. Após alguns dias, surge um vermelhidão por todo o corpo.

Um fato relevante, que atesta a alta contagiosidade do sarampo é que após o contato 90% dos indivíduos suscetíveis desenvolvem a doença. São diversas as síndromes causadas pelo vírus do sarampo, destacando-se:

– Sarampo clássico;

– Quadro clínico modificado, por imunização incompleta;

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– Síndrome Neurológica, do tipo panencefalite esclerosante e encefalomielite;

– Complicações bacterianas, destacando-se a encefalite e a pneumonia;

O período de incubação do sarampo clássico varia de seis a 21 dias e se inicia após o vírus entrar nas conjuntivas ou mucosa respiratória. O período de contágio estimado é de cinco dias antes e quatro dias após o aparecimento do exantema. A fase prodrômica persiste de dois a oito dias. É definida pelo surgimento de febre, mal estar, anorexia, conjuntivite, coriza e tosse. A febre pode ultrapassar os 40 graus. 

Sintomas 

A severidade da conjuntivite pode ser caracterizada por intenso lacrimejamento e fotofobia. Após 48 horas do exantema o paciente pode apresentar enantema, caracterizado por manchas de Koplik – elevações eritematosas da mucosa oral, atingindo o restante da boca e lábios. Essas manchas permanecem por 12 a 72 horas e auxiliam no diagnóstico clínico da doença.

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O exantema do sarampo aparece aproximadamente dois a quatro dias após o período da febre e consiste em lesões eritematosas, maculopapulares, iniciando-se na face e distribuindo-se na direção crânio-caudal, de forma centrífuga. As palmas das mãos e as plantas dos pés raramente são envolvidas. Nos casos mais severos podem surgir petéquias e, na sequência sinais de hemorragia.

Outros sinais clínicos do sarampo incluem: febre alta, aumento do tamanho e número de gânglios, sinais e sintomas respiratórios, destacando-se faringite e conjuntivite. A melhora clínica acontece 48 horas após o aparecimento do exantema, ocorrendo, muitas vezes, descamação da pele nas áreas mais afetadas.

As complicações podem ocorrer em mais de 30% dos casos. A mais comum é a diarreia. As mortes são causadas por complicações respiratórias e neurológicas. Nos países em desenvolvimento as complicações são mais frequentes e os casos fatais giram em torno de 4 a 10%.

Há aumento do risco de complicações em pacientes imunocomprometidos, mulheres grávidas, em indivíduos com deficiência de vitamina A ou de outros elementos nutricionais e em extremos de idade.

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Diagnóstico

O diagnóstico clínico de sarampo deve ser cogitado em pacientes febris, com exantema e sinais diversos como tosse, coriza e conjuntivite. Adicionalmente, o diagnóstico laboratorial baseia-se em pelo menos um dos seguintes exames: positividade sorológica do anticorpo IgM, aumento significativo do anticorpo da classe IgG em amostras paradas, colhidas com intervalo de tempo não inferior a duas semanas, isolamento do vírus em cultura ou detecção do RNA viral por reação de polimerase reversa.

O diagnóstico diferencial deve ser feito de acordo com a fase da doença destacando-se: Dengue, infecções respiratórias comuns, roséola , eritema infeccioso, reação alérgica a medicamentos e a diversos outros processos infecciosos.

Tratamento

Não há medicamentos específicos para o tratamento do sarampo. Quando necessário, faz-se através de medidas de suporte, uso de medicamentos sintomáticos. Em caso de gravidade, promove-se internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). 

A Vitamina A é indicada nos caso de hipovitaminose específica, mais frequente em crianças. Alguns especialistas recomendam o uso da Ribavirina- antiviral – em pacientes com pneumonia causada pelo vírus do sarampo em crianças com menos de 12 meses de idade, ou acima dessa idade, que necessitam de suporte respiratório mecânico e em pacientes com imunodepressão severa.

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Vacinação

A imunização é a melhor forma de prevenção do sarampo em crianças e adolescentes. A vacina utilizada protege contra o Sarampo, Caxumba e Rubéola (MMR). Em situações normais a vacina está recomendada a crianças com 12 meses de idade ou mais. Em locais onde existe risco ou aumento do número de casos de sarampo, as crianças devem ser imunizadas a partir de seis meses. A segunda é indicada aos 15 meses de idade. 

Contraindicação da vacina

A vacina é de vírus vivo atenuado, administrada por via subcutânea. Apresenta as seguintes contra indicações: alergia prévia aos componentes da vacina (ovo, gelatina), gravidez e imunodeficiência grave. Adultos que não sabem ou não se foram vacinados devem tomar duas doses de vacinas com intervalo de 28 dias. Adultos nascidos antes de 1957, habitualmente estão protegidos, pois tiveram sarampo. 

A despeito das campanhas atuais que objetivam aumentar o número de imunizados, sente-se clara e inadmissível relutância em atender ao chamado público por parte da população. As consequências são individuais – aumento do número de casos, das internações e das mortes e coletivos – aumento da população exposta e do custo público.

A decisão de não vacinar não encontra respaldo na literatura médica e científica.

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